Opinião: Carta ao Pai Natal com 12 desejos para Coimbra
Nesta época, que se pretende de reunião e de alegria, a natureza humana faz-nos renovar o sentimento de esperança para o ano que se avizinha. Ambicionamos que o futuro seja melhor do que o presente. Muitos sonhos não passam de ilusões. Uns são novos, outros são meras repetições dos de anos anteriores. Uns dependem unicamente de nós próprios, outros fogem ao nosso controlo.
E se, tal como nós, a cidade de Coimbra pudesse escrever uma Carta ao Pai Natal? Quais seriam os seus 12 desejos para o desenvolvimento urbano e dos transportes?
Convido o leitor a imaginá-los comigo. Talvez fossem algo deste género (sem ordem de prioridade, nem prazo de conclusão):
- Que se requalifiquem as frentes urbanas nas margens do Mondego: na Baixa, de acordo com o novo estudo urbanístico da CMC, possivelmente melhorado com sugestões da consulta pública; na Guarda Inglesa, com uma eventual candidatura a financiamento para obras de estabilização da Margem Esquerda e correspondente arranjo urbanístico; e na ligação entre as margens, talvez com a nova ponte sobre o Mondego, para peões e transportes públicos, prevista no referido estudo urbanístico da CMC.
- Que o MetroBUS possa ser implementado sem contrariedades adicionais, de forma a entrar em funcionamento em 2024, como previsto.
- Que a nova Estação Intermodal de Coimbra venha a ser i) um hub de transportes, para Coimbra e para a Região Centro, ao nível do que melhor se faz no mundo, interligando comboios de alta velocidade, comboios regionais, transportes interurbanos de passageiros em autocarro (Rede Expressos, Flixbus), MetroBUS, SMTUC, Táxis e TVDE (Uber, Bolt), sistemas de partilha de bicicletas e trotinetas, e zonas de kiss-and-ride para tomada e largada rápida de passageiros, ii) um edifício de arquitetura excecional, que se afirme como um novo ícone da cidade, e iii) plenamente integrada na requalificação urbana do eixo Estação-Baixa, conforme o estudo (em curso) de Joan Busquets, com co-localização de atividades que se complementem e se reforcem mutuamente (espaços empresariais, para congressos, de comércio, etc.).
- Que as obras do projeto MetroBUS possam alavancar a regeneração urbana do Vale da Arregaça, com um corredor verde ao longo do eixo formado pelas vias paralelas da Rua do Brasil e (prolongamento) da Avenida da Lousã, e uma adequada capilaridade transversal que facilite a ligação do Calhabé ao Bairro Norton de Matos.
- Que a zona urbana envolvente ao CHUC e ao Pólo III da UC seja adequadamente reordenada, para minimizar os impactos da inevitável atração de elevados fluxos de pessoas e tráfego, tirando partido dos projetos em curso (MetroBUS), dos que estão em fase de planeamento (novo centro materno-infantil), e da reformulação das políticas de estacionamento, entre outros.
- Que se promova a criação de uma rede urbana de ciclovias – extensa, abrangente, e com elevada conetividade – que permita a circulação de bicicletas e trotinetas em segurança, de forma segregada do tráfego automóvel e dos peões. E, se não for pedir muito, que esta rede possa incluir a requalificação e abertura do tabuleiro inferior da Ponte Rainha Santa Isabel (encerrado ao público desde a sua construção), completando a ligação pedonal e ciclável entre as duas margens.
- Que seja possível estabilizar os SMTUC, em termos financeiros e operacionais, criando as condições para que, no futuro, se possa investir na melhoria da frota e na expansão do serviço.
- 8. Que se promova a abertura de dados, a interoperabilidade, e a integração dos vários serviços de transporte, públicos e privados, com vista à implementação de uma verdadeira Mobilidade como Serviço.
- Que se promova a reconfiguração das redes de equipamentos de serviços públicos de proximidade, nas áreas da educação e dos cuidados de saúde, para melhor adequação a uma nova realidade urbana e demográfica. Por exemplo, o bairro mais jovem da cidade – Quinta da Portela – necessitaria de uma pré-escola e de uma escola básica adequadas à sua população residente, e a Solum, um bairro com elevada densidade populacional e tendência de envelhecimento, requer um centro de saúde.
- Que a Penitenciária seja, de uma vez por todas, deslocalizada para uma zona mais periférica da cidade/município, para que se possa regenerar a atual área, tão central e com tanto potencial.
- Que o troço do IP3 entre Coimbra e Viseu seja convertido em autoestrada e que o IC6 e o IC7 sejam concretizados, para uma melhor coesão territorial e ligação à região da Beira Alta e Serra da Estrela.
- Que o novo aeroporto internacional se venha a localizar a Norte de Lisboa e do Rio Tejo, o mais próximo possível da Região Centro – em Santarém (preferencialmente), Ota ou Alverca – e que seja dotado de uma estação ferroviária, integrada na futura linha ferroviária de alta velocidade ou na Linha do Norte (no caso da alta velocidade não se concretizar).
São, com certeza, desejos ambiciosos, de concretização complexa e com variados prazos de execução. No que ao território e aos transportes diz respeito, sabemos que qualquer solução envolve várias entidades responsáveis e prazos dilatados. Assim, não é de forma alguma expectável que os desejos acima sejam concretizados em 2023. No entanto, Coimbra pode (e deve!) sonhar alto e ambicionar que se possam dar passos nesse sentido. Como se costuma dizer: Aponte para as estrelas para que, se ficar aquém, aterre na lua!
Boas Festas e um extraordinário 2023!


