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Opinião: Natal e greves

29 de às 15h51
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Duas tradições são incontornáveis na Bélgica em Dezembro – daquelas fatais como o destino: o Natal e as greves.
O Natal é lindo na capital da Europa, frio como se deve, apenas às vezes com neve, mas sempre com espectáculos de luzes na Grand Place, pistas de gelo pela cidade e mercados típicos com barraquinhas de madeira, vinho quente e artesanato. As greves, as mais cruéis de todas, bloqueiam anualmente aeroportos e transportes nos dias que antecedem a festa da família e causam sobressalto todo o santo ano aos emigrantes que querem retornar à pátria amada e aos seus.
Primeiro flagelo: os preços vergonhosos praticados pelas companhias aéreas nesta época – com a nossa TAP a liderar nos preços mais escandalosos. A título de exemplo, em inícios de Outubro uma passagem de ida na véspera de Natal e volta nos primeiros dias de Janeiro custava na TAP 500€. Sim, quinhentos euros. Valeu-me o teletrabalho e a possibilidade de alterar essas datas, para conseguir passagem a 100€. Mas a exploração da época não deixa de ser indecente.
Segunda razão de aflição natalícia: as greves, sejam elas dos pilotos, comissários de bordo, trabalhadores de aeroportos, ou de transportes. Nesta época ensombram sempre a viagem do emigrante. Este ano fui apanhada pelas greves e por pouco não chegava a tempo ao aeroporto, devido a uma greve geral na Bélgica, que bloqueou transportes públicos, táxis, e saturou todas as alterativas possíveis para chegar ao aeroporto. Aprendi a lição: no Natal, ir sempre 5 horas mais cedo para o aeroporto!
Depois há as condições meteorológicas sempre imprevisíveis. Há uns 8 anos, o aeroporto fechou por excesso de neve e falta de produto de descongelação da pista e dos aviões. Na altura dei por mim a fazer um plano da viagem em comboio com uma amiga, a consultar especialistas da ferrovia, a estudar as alternativas à consoada no estrangeiro. O meu voo ainda saíu, o dela foi apanhado pelo encerramento do aeroporto e viu-se obrigada a concretizar esse longo e turbulento plano de viagem ferroviária. Porque ninguém quer passar o Natal longe da família!

 

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