Opinião: Fernando Pádua: o médico “que viu” as apps para a saúde
Em dezembro passado deixou-nos Fernando Pádua, um ilustre médico cardiologista e estudioso da medicina preventiva e da vida saudável – ou “o professor do coração” como era também conhecido – que ambicionava viver até anos 120 anos e que, embora não atingindo a sua ambição, viveu 95. Foi alguém que, sem querer, abriu uma boa parte do caminho para que hoje sejamos “fanáticos” de apps para a saúde. Por isso, o título hoje é inspirado no extraordinário filme “O homem que viu o infinito” (“The Man Who Knew Infinity” de Matt Brown, com Dev Patel, de 2015 ), por muitas vezes os génios terem de esperar que a sociedade se prepare para o que eles enunciaram antes do tempo.
Este ilustre médico, diplomado pela Universidade de Lisboa, em 1950, e estudou também em Harvard logo de seguida – algo que em Portugal era pouco comum – jubilou-se em 1997, recuperando, na sua lição intitulada “2027”, propostas que definiu em 1967 e que demoraram décadas a receber atenção, mesmo na académia. Cada vez mais sedentários e com dietas cada vez mais afastadas da tradicional dieta mediterrânica, os portugueses passaram a desenvolver patologias cardíacas e outras doenças graves relacionadas com maus hábitos alimentares, preocupavam-se pouco com o Active Ageing, em andar a pé ou fazer um desporto como hobby e viviam obcecados pelo trabalho. Hoje, esperamos ter aprendido algo e contribuir para inverter essa tendência. Como é que as apps estão a ajudar nesse campo?
Na fase da pandemia, o Zwift foi quase tão popular para andar de bicicleta e correr como o Zoom para reunir: soube explorar a oportunidade, criando cenários e provas virtuais onde “corríamos” ou “pedalávamos” com outros “zwifters”, como se estivéssemos num cenário real e sem sair de casa. Em muitas geografias, foram promovidas maratonas virtuais onde participávamos via app, correndo os km definidos, acompanhados por aplausos e ficando registada a classificação final, sempre útil para os mais competitivos. Essas apps permanecem pós-COVID, mesmo que agora já tenhamos liberdade de movimentos, se precisarmos de encorajamento para nos movermos. Alguns exemplos, para não haver desculpas nestas boas práticas de (tentar) viver saudável até aos 100. Para treino outdoor, o Strava continua a ser muito popular porque, para além da variedade de desportos, outros podem segui-nos e dar “kudos” pelas nossas prestações. Prefiro o Sports Tracker, porém muitas marcas de equipamentos desportivos propõem-se acompanhar-nos com apps nessa jornada. Se preferir treinar em casa: há apps para o fazer com ou sem equipamentos, apps específicas por género e até para melhorar os abdominais.
Quem está muito tempo sentado pode usar uma app que o lembre de se levantar a cada X minutos e o mesmo para quem se esquece de beber 2 litros de água por dia (Aqualert, Water Drink Reminder and Alarm, Kropla, WaterBoom, Waterdrop, Drink Water). Se o seu problema é caminhar pouco, pode monitorizar os passos para além do que consta no telemóvel com o Step Counter – Pedometer, StepsApp-Step Counter.
A máxima de um spot publicitário de uma cadeia de retalho “há uma app para isso” é mesmo verdade! Para cuidar da sua saúde há imensas: use-as e cuide-se neste novo Ano!


