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Opinião: Espelho Meu, Espelho Meu…

09 de às 10h27
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O auto-conhecimento é um exercício absolutamente fundamental. Aceite por todos, quanto estão habituados a entrevistas no mercado de trabalho, que a mais complexa das perguntas é sobre a identificação dos defeitos e das fragilidades. Afinal de contas, não é agradável falarmos das fraquezas e, menos ainda, reconhecê-las frontalmente perante terceiros.
Mas a capacidade de nos auto-avaliarmos em permanência para compreender não apenas os defeitos como também as virtudes e as competências deve fazer parte de uma rotina individual. Deve ser interpretada, aliás, como uma condição para o sucesso. Sobretudo, o problema não está em errar, mas sim em não saber porque se errou e, como tal, insistir no erro. Tal só se pode evitar auto-avaliando-se e sendo avaliado em permanência.
Em Portugal, foge-se da avaliação como o diabo da cruz. Não existe uma cultura da auto-reflexão e menos ainda uma aceitação pública dessa necessidade. Por isso mesmo, convivemos tão mal com o mérito. Especialmente o dos outros! Na verdade, numa sociedade que não se avalia e não se deixa avaliar o mérito e o sucesso só podem ser resultado da sorte ou da manigância. Este é o ponto de partida.
Daqui para os recentes casos políticos que têm feito a delícias dos jornais é um tirinho. A política e os políticos que temos são um reflexo do caldo social em que vivemos. Afinal de contas, se os espelhos lá de casa dizem sempre que “não existe ninguém melhor do que eu” o que se pode esperar?..
Está muito bem – por desejável e necessária – a recente proposta do Primeiro-Ministro para uma avaliação prévia dos candidatos a governantes. Que não dispensa de todo o exercício individual caseiro! Mas já me parece “poucochinho” que se exija apenas para o órgão executivo do país. Por que motivo um candidato a Presidente de Câmara ou de Junta de Freguesia não deve ser também ele sujeito a esse escrutínio prévio? E o mesmo se diga do candidato a deputado seja à Assembleia da República ou Municipal.
Estamos a tratar de princípios fundamentais para o bom funcionamento da democracia e da República e, por isso mesmo, não devem existir exceções!
Não sei se o regime aguentará ver-se ao espelho, mas isso são outros quinhentos…

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