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Opinião: Dois mil e vinte e três: liberdade e sensatez

19 de às 10h34
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A chegada de 2023 não foi excepção à típica lista de doze resoluções que marca todos os inícios de ano. Contudo, como residente de Macau, tive a tarefa bastante facilitada pelo governo local que num piscar de olhos me permitiu preencheu vários itens da lista:
1 ) Voltar a entrar num avião ao fim de três anos
2 ) Ir a Portugal ao fim de três anos
3 ) Abraçar a família ao fim de três anos
4 ) Rever os amigos ao fim de três anos
5 ) Voltar à praia ao fim de três anos
6 ) Conhecer os filhos dos amigos que nasceram durante estes três anos
7 ) Apresentar a minha filha à família
8 ) Comer percebes
9 ) Carimbar ao máximo o passaporte antes que expire, pois já tem três anos e zero carimbos
Felizmente fiquei com três itens disponíveis para os imprescindíveis desejos de saúde, amor e sucesso.
Contextualizando, Macau seguia, desde o início 2020, a “política Zero Covid” da China. Durante quase três anos, Macau manteve as fronteiras fechadas, exigia longas quarentenas em hotéis designados pelo governo no regresso, testagens em massa, confinamento de prédios e zonas de risco, controle de temperatura corporal e apresentação de código com o registo do percurso da população. Alucinante e quase inacreditável foi a velocidade da abolição das medidas, ao ponto de fazer questionar a veracidade das notícias avançadas pela comunicação social, pois “quando a esmola é muita, o pobre desconfia”. As reações por cá foram variadas, desde lágrimas de felicidade a taquicardias de euforia, e houve até mesmo quem entrasse em negação.
Com o relaxamento das medidas de prevenção epidemiológica foi inevitável que a propagação do vírus não ocorresse a um ritmo impressionante. Estima-se que, durante a segunda quinzena de Dezembro, cerca de 70% da população de Macau tenha sido infectada. Perante tal cenário foram abortados os festejos da quadra natalícia, as famílias ficaram separadas e as sobremesas canceladas.
Foi assim que encerrámos 2022 por Macau, foi esse o preço da nossa liberdade. Entramos em 2023 a ansiar mais uma vitória de Macau sobre tantas adversidades, à procura de nos adaptarmos rapidamente a esta nova liberdade e a desejar muita saúde para todos. A sabedoria popular raramente se engana: “Quem tem saúde e liberdade, é rico e não o sabe”.

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