Opinião: Plano Industrial Europeu
No final do ano passado, o Presidente Joe Biden apresentou um plano industrial com o objectivo de dinamizar a capacidade empresarial dos Estados Unidos da América, plano este repleto de subsídios estatais, redução de impostos para atrair multinacionais e elevados incentivos para dinamizar o desenvolvimento de tecnologias limpas em solo americano. Ao mesmo tempo, a China possui um ambicioso Plano Industrial intitulado ‘Made in China 2025’ que visa transformar o país na principal potência global em termos de liderança tecnológica e industrial.
Face aos avultados subsídios e enormes investimentos concedidos quer pelos EUA quer pela China, a União Europeia decidiu rever a politica industrial por forma a aumentar a sua competitividade, criando um ambiente mais favorável em termos de fabrico de tecnologias limpas. Pretende-se assim impulsionar o desenvolvimento de novas soluções com impacto neutro no clima, soluções estas tão necessárias para cumprir os objetivos climáticos que a Europa pretende atingir.
Com uma concorrência global cada vez mais aguerrida, é fundamental que a Europa apresente novas iniciativas que visem apoiar a indústria europeia, não só ao nível do aumento das ajudas estatais, desde que estas tenham um efeito multiplicador em vários Estados-Membros, mas também pela aceleração do acesso ao financiamento ou pela criação de um Fundo Europeu de Soberania Tecnológico que impulsionará o desenvolvimento das almejadas tecnologias futuras.
É igualmente fundamental que a Europa aprofunde a sua capacidade de produzir matérias primas fundamentais para a indústria do futuro, reduzindo assim a sua dependência face a países estrangeiros, aumente as qualificações das nossas populações por forma a ficarem melhor preparadas para a transformação tecnológica e industrial que se avizinha, e aprofunde as relações comerciais com países terceiros, começando desde logo pelos países do Mercosul.


