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Opinião: Carlos Cortes: novo Bastonário da Ordem dos Médicos

22 de às 11h11
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Numa altura em que se procura retirar poder às Ordens Profissionais, apelidando-as de coorporativas, foi eleito na passada quinta feira o novo Bastonário da Ordem dos Médicos.
Carlos Cortes, médico especialista em Patologia Clínica, dirigia já a Seccão Regional do Centro da Ordem dos Médicos desde há algum tempo, e é, portanto, alguém bem conhecedor das politicas de saúde em Portugal, daquilo que são os reais interesses dos médicos e dos doentes.
A sua vitória eleitoral, foi apenas o resultado de um enorme trabalho feito por si e pela sua equipa junto dos médicos nos últimos anos.
Uma larga maioria de médicos reconheceu as suas capacidades na defesa de um Serviço Nacional de Saúde forte, sem deixar de perceber que os sectores privados e sociais têm um papel cada vez mais relevante. Essa mesma maioria foi testemunha do interesse que Carlos Cortes demonstrou pela avaliação da qualidade do exercício da Medicina em Portugal, independentemente de tal actividade ser efectuada no sistema publico, privado e social. Carlos Cortes percebe bem que é o Bastonário de todos os médicos, independentemente do sistema de saúde onde estes trabalham.
Os 11176 médicos que nele votaram reconheceram-lhe a capacidade de manutenção de uma independencia política no exercício das suas funções, independentemente das suas simpatias ou filiações partidárias. Durante a sua Direcção na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, nunca deixou de apontar o dedo aos executivos governativos sempre que tal era exigido, que nos governos PSD/CDS, quer nos governos PS. Defendeu sempre os interesses dos médicos e dos doentes, soube sempre respeitar os limites de intervenção da Ordem dos Médicos dentro das suas competências, não fazendo confusões com intervenções sindicais.
Carlos Cortes soube ser acutilante e incisivo, mantendo a dignidade e o prestígio da função que exercia e da classe que representava, algo que o distingue como um verdadeiro líder.
A chegada a Bastonário foi o culminar de um trajecto que ambicionava há muito, de forma legitima e totalmente merecida. Soube sempre conciliar as exigentes e desgastantes funções directivas na Ordem com a sua actividade de Patologista Clínico no Centro Hospitalar do Médio Tejo. Foi talvez esse aspecto que cativou muitos dos médicos que nele votaram: elegeram alguém que conhecia no terreno os problemas existentes na saúde em Portugal.
Carlos Cortes vai ter pela frente tempos exigentes no exercício das suas funções:
– Vai ter que lidar com um SNS que enfrenta talvez o pior período da sua história, com médicos pouco motivados por carreiras pouco aliciantes, falta de actualização de equipamentos e melhoria nas condições de trabalho.
– Vai encontrar um Sistema de Saúde Privado onde a “clinical governance” é cada vez menos valorizada, e onde o papel dos médicos nos órgãos de gestão é cada vez mais figurativo, abafado muitas vezes por interesses comerciais e financeiros.
– Vai ter de lidar com um executivo governativo incapaz de executar as reformas estruturais que se impõem na Política de Saúde em Portugal, limitando-se a fazer uma gestão ineficaz dos problemas diários que vão ocorrendo nas diversas unidades de saúde portuguesas.
– Vai ter de tentar reconstruir o prestigio e dignidade da classe médica, começando por explicar aos seus membros mais jovens que a imagem que a população portuguesa espera do médico que os atende e recebe, é da pessoa de respeito, rigor e ética a quem confiam a sua saúde e não à imagem alucinada do médico das séries televisivas americanas capaz de milagres apenas observáveis no mundo da ficção.

Desejo por isso a Carlos Cortes sorte e felicidade no exercício das suas funções, pois competência, determinação e capacidade de trabalho é algo que não lhe falta.

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