Opinião: Ainda Coimbra
No meu último texto disse que voltaria a Coimbra e aqui estou a cumprir o prometido, não só para manifestar o que me agradaria ver na minha cidade (e isso não são críticas, mas estímulos para se melhorar), mas também para confessar o meu olhar sobre algo que já parece estar a mexer, em mudança.
Por exemplo, alguma coisa começou a mudar com o controlo dos estacionamentos e, coincidência ou não, tenho visto mais vezes a polícia municipal nas ruas, os passeios mais livres de carros e mais lugares vagos nos parques controlados por parquímetro. Mas, já agora, os lugares para deficientes continuam muitas vezes indevidamente ocupados por longos espaços de tempo ou por veículos que usam tais espaços como de carga e descarga. Já que não há civismo, alguém tem de o incutir, nem que seja pela força das coimas. Outro exemplo: parece que as obras do “metrobus” começaram a deixar de ser “obras de Santa Engrácia”. Alguns obstáculos e taipais já foram retirados e já se vê mais do que um ou dois trabalhadores em cada local (pena que ainda raramente, pois tudo poderia ser feito mais depressa!). Outro exemplo ainda: Não tenho mais ouvido falar em abate de árvores … só espero que isso tenha terminado mesmo!
Também assinalamos a maior utilização do Convento de S. Francisco: para actos sociais e para actos culturais. Nestes, infelizmente, com frequência reduzida, facto que talvez devesse ser analisado, de um modo “de fora para dentro”, isto é, serão alguns dos espectáculos aquilo que a população de Coimbra deseja ver? Não sei se a fasquia das escolhas não deveria começar a ser elevada e a ser-se mais ambicioso! Sei que se poderá dizer que é difícil agradar à população da nossa cidade, mas a cultura também se educa.
Veja-se a vinda no próximo mês de Maio da banda rock Coldplay a Coimbra, que começou por um espectáculo, depois dois, e agora três espectáculos a encher o Estádio Cidade de Coimbra. Milhares de pessoas (cento e cinquenta a duzentas mil) que virão de diversas partes do país, que falarão de Coimbra, que darão vida a Coimbra.
Na Baixa já se viveu o Carnaval e a iniciativa da renovação da “Mostra da Doçaria Conventual e Contemporânea de Coimbra”, agora num novo formato por iniciativa da CMC em parceria com a Associação de Doceiros de Coimbra e a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, aí estará de portas abertas a partir do início de Março.
Porque não imitar esta iniciativa com outros festivais gastronómicos típicos de Coimbra ou da sua Região? Bem sei que vivemos tempos difíceis com problemas também difíceis, mas só com ambição e vontade da Autarquia e das Entidades, culturais ou outras, se podem criar projectos audazes e atractivos, projectos capazes de chamar gentes à participação. Quase sempre, o difícil é começar!…
Deixei para o fim, mas assunto não menos importante, o problema da Baixa de Coimbra. Coimbra tem uma “Baixa” que poderia ser uma das mais atractivas de Portugal. Ano após ano se fala da revitalização da “Baixa de Coimbra” … e tudo continua na mesma ou pior!…
Noutro países, cada vez mais as pessoas fogem dos grandes centros comerciais e percorrem algumas ruas e avenidas que se tornam célebres e de visita turística obrigatória pelo seu comércio: Olhemos para os grandes centros da Europa (Paris, Londres, Madrid, Viena, Berlim) ou até algumas cidades portuguesas (Braga, Guimarães, Porto).
Coimbra tem tudo o que precisa para fechar os “botecos” de recordações e levá-los para zonas típicas junto ao rio ou outros locais apropriados, como se faz, por exemplo, em Paris. Nas ruas da “Baixa” fomente-se o comércio com atractivas lojas de vestir, bonitos cafés com esplanadas (até porque já os há, como a Brasileira e o Santa Cruz, e não pode ficar-se pelo Largo da Portagem) ou desenvolvam-se outros recantos de actividade comercial que se estendam até ao rio Mondego. Poucas cidades têm, como Coimbra, o encanto de abraçar um rio.
Coimbra é uma cidade “cheia de beleza e encanto”. Não é só uma “cidade universitária”, não é só uma “cidade de serviços”. Cuidemos dela como ela merece!


