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Opinião: O lugar certo

02 de às 17h45
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Será Coimbra o lugar certo?
A resposta é imediata e é dada sem hesitações – sim, Coimbra é o lugar certo!
É o lugar que eu escolhi para criar os meus filhos.
Uma cidade mágica onde o sol ilumina cada rua com respeito pela história e pelo passado.
Uma cidade que se faz com honra e camaradagem. É um espaço de partilha e solidariedade e onde a palavra amizade tem um significado tão nosso.
Ainda é a capital!
Não só a capital do reino e da nossa nacionalidade,
Mas é também a capital da região,
Da qualidade de vida,
Do talento qualificado,
Da saúde,
Da inovação
E do fado.
O fado de Coimbra é um património único que nos distingue e nos liga como se de um abraço apertado se tratasse.
É esse abraço que mora nos corações de todos os conimbricenses e nos estudantes que ao longo do tempo passaram por Coimbra levando um pouco desta cidade e cá deixando outro tanto.
Uma passagem que todos recordam com saudade.
Saudade – uma palavra que a todos nos diz mais….. E cujo significado percebemos como ninguém.
Somos também e sempre fomos a linha da frente das causas e das convicções.
As lutas estudantis que floresceram em Coimbra (em 1962 e 1969 ) foram inspiração para uma sociedade amordaçada e oprimida pelo regime ditatorial de Salazar e Marcelo Caetano.
Lutas que levaram a outras universidades a força e a coragem para não vergar e não desistir.
Lutas que se fizeram nas ruas, na sombra e nas canções.
Canções de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, entre outros, foram o farol criativo de uma comunidade pensante e decidida em lutar contra um regime que limitava a liberdade para ser e para pensar.
E Manuel Alegre através de Adriano dizia: “pergunto à gente que passa porque vai de olhos no chão. Silêncio – é tudo o que tem quem vive na servidão”.
Mas o vento passou e o tempo foi mudando Coimbra …. O país é hoje uma democracia.
O estádio do Calhabé está maior, já não estacionamos o carro no Páteo das Escolas, o Mondego já não fica vazio no verão, a rua onde eu cresci já tem saída, a Universidade de Coimbra já não é a única do Centro do País e os Hospitais de Coimbra já não são referência em todas as especialidades.
Gostar de Coimbra é também reconhecer-lhe os aspetos menos positivos.
Coimbra perdeu tempo e perdeu gerações… perdemos um tempo que outros agarraram com determinação e coragem. Fizeram mais e melhor que nós… estão em alguns aspetos mais à frente!
Perdemos várias gerações e tudo temos de fazer para não perder as próximas.
Não gostaria de ver os meus filhos partir tal como partiram os meus colegas da escola e da universidade.
Coimbra tem oportunidades únicas e que nos diferenciam das demais cidades. Temos uma centralidade ímpar, somos uma cidade segura, com pouco trânsito, com uma das melhores águas de Portugal, com gente afável e amiga com um ensino acima da média.
Somos um diamante por lapidar em diversas áreas.
Permitam-me nesta ocasião e porque também estou ligado ao um projeto hoteleiro deixar algumas ideias para que o turismo da cidade possa ser ainda mais um fator de desenvolvimento económico.
No turismo temos que ter a capacidade de nos sentarmos à mesma mesa. Juntos, privados e entidades públicas, podemos fazer a diferença e tornar a visita a Coimbra numa experiência melhor.
Temos de conseguir que a estada média aumente porque se encontra praticamente inalterada há muitos anos.
É fundamental conseguir criar programas que fixem os nossos visitantes mais do que uma ou duas noites.
Devemos pensar em criar uma rede de transportes dedicada à alta e à baixa para que turistas mais velhos sintam conforto, não desistam de Coimbra e passem a palavra de que Coimbra é o lugar certo para visitar.
Os turistas que viajam em família precisam de espaços de entretenimento e atividades ao ar livre que toda a família goste ainda mais da nossa cidade.
Precisamos olhar para o rio como uma oportunidade de “entreter” os turistas e os locais. Viver o Mondego é um desígnio da maior importância.
Coimbra precisa de apostar em espaços de fruição gastronómica, nivelados por aqueles que noutras cidades criam as tendências, porque viajar também é aproveitar o pôr do sol, o bom vinho e a boa comida em espaços trendy e atuais.
A nossa cidade precisa de sentido estético! Precisa de cuidados urgentes. É difícil ver uma Alta e uma Baixa, património da Humanidade, com chapéus de sol da Sagres, da Coca Cola ou da Lipton.
A nossa marca é Coimbra! É isso que devemos promover. É incompreensível ter toldos com marcas e sinalética em vinil autocolante na rua da Sofia. Seria bom que fossem cumpridas as normas da UNESCO.
É urgente intervir…
Precisamos de nos entender para termos bilhetes online.
É fundamental ter uma cidade mais amiga do ambiente.
Coimbra precisa de alguns ajustes para se posicionar num segmento elevado e ter a capacidade de captar turistas exigentes, com poder de compra e com apurado sentido estético.
Cabe-nos a todos a autocrítica (sublinho que os investidores privados o devem fazer)
E cabe-nos a todos a pergunta – o que podemos fazer para Coimbra ser ainda melhor?
Depois dessa reflexão e de mais ação, Coimbra será sem margem de dúvidas uma cidade única e uma referência turística a nível mundial.
Mas Coimbra já é uma referência mundial em vários setores…
– A medicina distingue-se em algumas especialidades constituindo-se uma referência nacional e internacional.
– A inovação tecnológica faz de Coimbra um laboratório vivo nas áreas de transformação digital e de sustentabilidade.
– O fado, canção de Coimbra, tem um enorme potencial de afirmar-se na worl music porque se mantém puro, original. Tendo resistido à tentação de fundir-se com outros estilos e estéticas musicais.
Coimbra tem hoje uma comunidade pulsante de várias origens e culturas que certamente se irão transformar a nossa cidade num lugar mais cosmopolita e tolerante.
A vida cultural da cidade tem beneficiado nos últimos anos de novas dinâmicas e visões que a posicionam e a distinguem. O ano zero é disso um excelente exemplo.
A oferta cultural do Convento de São Francisco tem sublinhado a nossa apetência para que Coimbra seja cada vez mais uma cidade de cultura.
Um caminho que todos os agentes culturais devem assumir como prioridade e com responsabilidade.
De Coimbra e para Coimbra poderão existir trocas de conhecimento, cultura e inovação com toda a Europa de tal como há alguns séculos aconteceu através dos Caminhos de Santiago.
Através dos Caminhos de Santiago, a Rainha Santa Isabel – Rainha Peregrina – promoveu e afirmou a nossa cidade, sendo Coimbra e a região os principais beneficiários.
Uma visão estratégica que importa desenvolver e consolidar, já que os Caminhos de Santiago são hoje bem mais do que um espaço de demonstração da fé católica. São caminhos de cultura e património que ligam Coimbra a toda a Europa.
Por tudo isto e por sentir o encanto de partir, digo em todo o lado que Coimbra é o lugar certo.

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