Opinião: Iniciativas e competências para as indústrias do “infinitamente pequeno”!
O infinitamente pequeno, ou a capacidade de entender e trabalhar em escalas atómicas e subatómicas é uma nova fronteira de exploração e avanço do conhecimento, com impactos que vão para além da inteligência artificial necessária para ajudar a conquistar novos modos de estar e de ser em sociedade.
Este ano comemora-se o Ano Europeu das Competências (European Year of Skills 2023 ), com o objetivo de ajudar as empresas em geral e as PMEs em particular, a minimizar o deficit de competências para operar em setores Deep Tech como a inteligência artificial, robótica, blockchain, metaverso, impressão 3D ou Computação Quântica. O pressuposto é o de que profissionais em qualquer setor possam alcançar melhores oportunidades de trabalho e, consequentemente, um maior envolvimento com a sociedade promovendo um espírito para as requalificações (reskilling) e sobrequalificações (upskilling) em postos de trabalho, técnica e socialmente mais exigentes, garantindo uma transição e transformação verde e digital, criando motores de aceleração de oportunidades para as pessoas, empresas e a economia da União Europeia.
Os diferentes países, não conseguindo ser competentes em todas as áreas, acabam por eleger estrategicamente o domínio que pretendem liderar, ou, pelo menos manter alguma posição de vantagem nos cenários de colaboração/competição intra-união europeia, e no cenário da geoeconomia global.
Em termos de exploração estratégica das industrias do infinitamente pequeno e das oportunidades das Tecnologias Emergentes nas Industrias de Computação Quântica, percebemos já uma certa liderança da Alemanha através de localizações e ecossistemas hiperespecializados como o Vale Quântico de Munique, o Vale Quântico da Baixa Saxónia e o Hub Quântico da Turíngia .
Em Maio de 2022 porém, a cidade de Hamburgo criou o “Hamburg Quantum Innovation Capital (hqic)” para funcionar como um agregador de vontades na área da ciência, industria e sociedade. Uma dos primeiras iniciativas foi a criação da Escola de Computação Quântica através da participação da Universidade Técnica de Hamburgo e da Universidade de Hamburgo com o objetivo de treinar especialistas em hardware, software e aplicações de computação quântica, e atraindo estudantes de Doutoramento (PHDs) e Pós-Docs em física quântica, engenharia elétrica e ciências da computação.
Aportará Hamburgo, alguma ideia sobre oportunidades de colaboração e cooperação intensiva entre as Universidades Técnicas recém constituídas e as Universidades incumbentes ?
Numa altura em que as necessidades de atração e retenção do talento, se afirmam como um desafio maior para as cidades e regiões em qualquer parte do mundo, importa endereçar setores de elevada exigência e alta performance, como um meio para agregar pessoas e instituições, através de processos técnicos e tecnológicos adaptados às necessidades dos cidadãos, na sociedade pós-digital e de exploração do artificial inteligente, em conjunto com os Vales Quânticos do século XXI .


