Opinião: Rali confirma capacidade da cidade para receber grandes eventos?
NÃO
Ou sim. Sendo uma questão de interpretação, é dada a uma nova corrente literária, recentemente inaugurada neste mesmo espaço, o “indicisionismo”, que consiste numa curiosa oscilação entre posições que se contrariam. Assim, se por um lado me parece que a capacidade da Figueira da Foz para receber grandes eventos já não precisa de grande confirmação, por outro lado, é evidente que cada novo evento o confirma.
Se por um lado, é incontornável o histórico local de eventos únicos e dimensão nacional e internacional, culturais, desportivos, científicos, de animação, por outro lado não deixa de ser saudável a ambição de captar e consolidar novas iniciativas, desde que sejam investimentos ponderados, sustentáveis e com continuidade.
Ou seja, se por um lado o rally pode ser (esperamos) um bom exemplo de sentido de oportunidade, por outro lado, não creio que a Figueira necessite de correr atrás de todas as propostas que prometem “visibilidade” ou de todas as organizações “órfãs” de anfitrião para ser o que sempre foi – um concelho reconhecido e procurado pelas suas características únicas.
Em suma, se por um lado a Figueira não está nem deve estar refém de um único evento, por outro lado, não tem necessariamente de cair num êxtase (caro) de fazer “tudo, em todo o lado, ao mesmo tempo”. Escolher tudo, como não escolher nada, é também uma forma de não decidir. E, por mais que aprecie, deixemos o “indicisionismo” para a literatura.


