Opinião: “Consciências algorítmicas” – o fim da era da inocência !
O ritmo alucinante de lançamento dos instrumentos e ferramentas de inteligência artificial generativa, colocou finalmente a “inteligentsia” mundial, um exército de académicos e especialistas em sentido. Mais de 1000, segundo o “Future of Life Institute”, pedem uma paragem temporária de seis meses sobre os processos de treinamento das LLMs ( Modelos de Linguagem) superiores à versão 4 do GPT ( Generative Pre-trained Transformers ), numa altura em que já se endereça o GPT-4.5 e se anuncia o lançamento da versão 5.
Durante os primeiros meses a seguir ao lançamento do ChatGPT, académicos e especialistas com fortes responsabilidades na formação de opinião foram comutando entre a risota da glosa, e o problema do plágio. Para eles, o ChatGPT era uma piada, que alucinava como um “Papagaio Estocástico”, ou então, era um reles imitador de humanos fraudulentos, prontos para minar o “inquestionável” e inquebrantável sistema de avaliação tradicional.
Desde há cerca de uma década, a evolução dos sistemas de processamento de linguagem natural têm vindo a dar passos de gigante na transferência crescente de conhecimento profundo, “Deep Knowledge”, com uma intencionalidade científica muito mais séria e impactante, do que a sua redução a meros artefactos para ludibriar a “inteligentsia” das massas eleitas de incumbentes, e guardiães da “sabedoria” ancestral .
Após o lançamento do InstructGPT em Janeiro de 2022, houve o famoso despedimento com estrondo (Junho 2022 ) de Blake Lemoine (Google), por afirmar que o Chatbot baseado em LaMDA era uma entidade senciente, que a sociedade em geral poderia e deveria ter dado os primeiros passos no sentido de perceber o que estava a acontecer.
A questão da consciência em “inteligências” algorítmicas não é uma questão menor.
Efetivamente, quão conscientes estamos também nós, humanos, da nossa consciência ? Para a imensa maioria de seres humanos, as questões sobre a consciência soam tão estranhas que entendemos como um “non sense”, assim como perguntar a um peixe, para que serve a água !.
Mas não é bem assim, e chegou mesmo a hora de perceber melhor os fenómenos da consciência, por razões de memória histórica e evolução do “homo sapiens”, mas sobretudo por imperiosidade sobre as consequências intencionais e não-intencionais, geradas a partir das “consciências algorítmicas” que fazem antecipadamente parte do(s) futuro(s) possíveis e das possibilidades alcançáveis.
Nesta fase, importará pouco saber se o ChatGPT e similares se aproximam de entidades sencientes. Faltar-lhes-á sempre a experiência sensível de um corpo, mas, não lhes falta a potencialidade de transformação das pessoas em Sujeitos de Aprendizagem, por oposição a simples Objetos da Ensinagem.
Entre a “Res Potentia” dos possíveis e a “Res Extensa” das realidades atuais, há necessidade de implementar uma Nova Pedagogia para os Interfaces, os novos magmas sobre os quais se movimentam os ecossistemas humanos e técnicos para a construção de uma nova civilização… que pode continuar a ser ingénua, só que, mais consciente da sua ingenuidade, para colocar um ponto final na era da inocência.


