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Opinião: A Lei que marcou o ritmo da evolução da tecnologia

30 de às 09h10
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Em 1965, o eng.º químico norte-americano Gordon Moore (falecido na passada semana), publicava um artigo que desencadeou um fenómeno que veio a contribuir para dar forma ao nosso mundo de hoje. Na sua essência, estava uma previsão, à época pouco intuitiva e bastante ousada, de que, com o progresso da microeletrónica, a capacidade computacional iria passar a crescer de forma exponencial, acompanhada por uma diminuição dos custos. Nessa peça histórica da eletrónica, esta “profecia” que ficaria conhecida como Lei de Moore previa uma duplicação, a cada ano, do número de transístores num circuito integrado, o que significa uma duplicação da capacidade de processamento de um computador e a redução para metade do seu custo. Em 1975, Moore revia esta lei para uma duplicação a cada dois anos.
Cofundador da bem conhecida empresa Intel Corp., ainda hoje um dos maiores fabricantes de processadores do mundo, Moore criou uma lei que se tornou uma regra para o progresso da indústria eletrónica. A evolução das capacidades dos microprocessadores seguiu esta lei durante décadas, causando um efeito exponencial na evolução do desempenho da eletrónica e da computação, enquanto reduzia os seus custos. Mas, sobretudo, criou um imperativo para as empresas tecnológicas manterem este padrão de evolução para se manterem na vanguarda desta indústria. Com a tecnologia dos chips a crescer a este ritmo, tornando a eletrónica continuamente mais rápida, mais pequena e mais barata, criou-se a força motriz por detrás da indústria de semicondutores e abriu-se o caminho para a utilização de chips que estão hoje omnipresentes em milhões de produtos do nosso dia-a-dia.
Esta fiabilidade da Lei de Moore veio também moldar as nossas expectativas. Nos dias que correm, os consumidores exigem que os seus computadores e gadgets se tornem cada vez mais rápidos, mais baratos e mais compactos, de alguma forma em sintonia com esta Lei. Podemos afirmar, por exemplo, que é a razão pela qual todos temos nos nossos bolsos um “supercomputador” que há uns anos teria custado milhões de euros e enchido muitas salas: o telemóvel. Hoje, a Intel e outros fabricantes de semicondutores ainda desenvolvem produtos de acordo com uma versão desta Lei e, no seu website, a Intel continua a afirmar “a Lei de Moore está viva e de boa saúde” e que “vai continuar a tentar contornar a física para a manter”. Contudo, a continuidade de sua aplicabilidade é discutível e acredita-se possa já ter atingido o seu limite devido a limitações físicas fundamentais. Apesar destas limitações, os fabricantes continuam a encontrar formas de melhorar o desempenho dos processadores, utilizando técnicas como arquiteturas que contêm vários núcleos de processamento. Em 2015, quando questionado sobre a Lei que criou, Gordon Moore respondeu “uma vez que fiz uma previsão bem-sucedida, evitei fazer outra”. A lei manteve-se até aos dias de hoje e embora possa já não se aplicar no sentido mais estrito, continuará a motivar o ritmo da evolução tecnológica.

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