Opinião: Futuro das Relações Europa – China
Em 2019, a União Europeia definiu a China como um potencial “parceiro, concorrente e rival sistémico”, sendo esta categorização tão verdadeira nos dias que correm quanto a era há quatro anos atrás. Efectivamente, não só as relações entre a UE e a China têm crescido ao longo das últimas décadas, como as trocas comerciais, relações interpessoais ou projectos de interesse comum como a luta contra as mudanças climáticas se tem vindo a desenvolver.
No entanto, as mais recentes discussões entre líderes europeus têm deixado claro que existe uma crescente rivalidade sistémica nas relações entre a Europa e a China. Esta mudança nas relações bilaterais entre as duas potências geopolíticas deve-se ao facto de a China ter vindo a mudar ao longo dos últimos anos, sendo ainda importante sublinhar que o contexto estratégico global tem também se vindo a alterar com os Estados Unidos a assumirem uma posição mais assertiva face aos congéneres Chineses.
O comportamento da China, assim como a sua retórica, mostra que o país comunista está a desafiar a ordem global baseada em regras liberais que foi desenvolvida desde o fim da Segunda Guerra Mundial e que muito tem servido como base para um desenvolvimento económico e social baseado nos princípios da liberdade, igualdade e democracia. Algo fundamental e que nunca devemos abdicar como referiu a Presidente von der Leyen antes da sua visita que hoje se inicia à China.
Assim, uma China mais assertiva internamente e mais activa no plano geopolítico global implica uma abordagem complexa, equilibrada e diferenciada da União Europeia e dos seus Estados Membros. Embora esse desafio se tenha tornado uma realidade inegável e que a Europa deve abordar estrategicamente, também é inegável que em muitas áreas a Europa e a China devem continuar a colaborar e serem parceiros estratégicos. Teremos de ver quais essas áreas e quais os princípios associados, pois sem valores dificilmente haverá maior cooperação.


