Opinião: Embandeirar em arco
Que precisamos todos fazer algo para preservar o planeta não há qualquer dúvida. Que um desenvolvimento sustentável é imperioso e que não temos mais tempo a perder também! Ainda assim, temos assistido nos últimos anos à adoção de medidas e soluções que surgem como panaceias para todos os males e que, pouco tempo depois, se mostram falíveis.
Ao mesmo tempo nem tudo é tão mau quanto parece, nem tão bom quanto nos vendem!.. O caso das trotinetes merece uma atenção especial.
Quando há não muitos anos as trotinetes chegaram às principais capitais do mundo anunciava-se a revolução na mobilidade urbana. Em nome do desenvolvimento sustentável era mais uma varredela nos motores a combustão. Desta feita, ambientalistas e quejandos aplaudiam de pé aquilo que parecia ser a mais “cool” de todas as soluções.
Ora, passado muito pouco tempo, já assistimos todos à queda de mais um mito urbano! Na semana passada, em Paris, promovido por um vereador dos “Verdes” com a responsabilidade pelos transportes naquela capital, um inédito referendo determinou que a partir de setembro as trotinetes elétricas serão banidas das ruas. Este será seguramente o primeiro de muitos outros casos Europa fora…
Para ajudar a confirmar a vontade popular estão as dezenas de mortes e muitas centenas de feridos relacionados com acidentes envolvendo trotinetes. Acresce, aos motivos de (in)segurança rodoviária, a desordem – senão mesmo o caos – a que todos temos assistido na forma como se abandonam as mesmas por esses passeios fora. Não foi suficiente limitar a velocidade das ditas, nem tão pouco criar zonas específicas de parqueamento. Há mesmo documentos que levantam dúvidas sobre a bondade ambiental das trotinetes face às dificuldades associadas à reciclagem das respetivas baterias.
Mas, como em tantas outras coisas, nem tudo é preto ou branco. Afinal de contas, o problema maior está em quem as conduz. A incivilidade e a inconsciência são “atributos” dos condutores e não das máquinas. Se as trotinetes aparecem largadas em rios ou fontenários, desprezadas em cima de passeios ou de lixões e se ameaçam a segurança de peões e outros condutores será com certeza responsabilidade dos energúmenos que as alugaram. Para tanto, haveria ainda soluções de fiscalização dirigidas a estes últimos antes de banir as trotinetes.
Já agora, vale não esquecer que há quem vá ganhar com esta decisão… E não é o ambiente, com certeza!


