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Opinião: Missão espacial Juice a caminho das luas geladas de Júpiter

04 de às 13h03
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O planeta Júpiter é conhecido desde a antiguidade, mas foi Galileo quem em 1609 viu, pela primeira vez, com um telescópio, as suas quatro maiores luas. Hoje, conhecem-se-lhe 95 luas, três delas descobertas há apenas alguns meses!
No passado dia 14 de abril, foi lançada pela ESA — Agência Espacial Europeia, da qual Portugal faz parte —, a missão espacial Juice, cujo nome nasceu do inglês para explorador das luas geladas de Júpiter. Geladas porque as suas superfícies estão a temperaturas abaixo dos -110 °C. Porém, isso não significa que estejam congeladas por dentro. Na verdade, Calisto, Ganimedes e Europa têm um oceano líquido no seu interior e queremos muito compreender como são esse mundos oceânicos debaixo de espessas crostas. Io, por outro lado, a lua mais próxima de Júpiter, é o objeto mais vulcânico no sistema solar, devido às fortíssimas forças de maré a que está sujeita, que assim a “espremem” não sendo, por isso, uma “lua gelada”.
Até chegar ao planeta gigante em julho de 2031, passando ainda pelo asteroide 233 Rosa no caminho, a sonda Juice passará pela Lua, por Vénus e duas vezes pela Terra, apenas para ganhar mais aceleração para a viagem.
Chegada a Júpiter, acabando por, no final de 2034, ficar em órbita em torno de Ganimedes, esta sonda, com os vários instrumentos científicos, alguns dos quais com participação da norte-americana NASA, da japonesa JAXA e da israelita ISA, irá procurar mais respostas aos mistérios do nosso próprio sistema solar, respostas essas que nos ajudarão a melhor compreender também os planetas exta-solares. O desenvolvimento cientifico e tecnológico associado a esta sonda, transportar-se-á inevitavelmente para o nosso dia a dia, mesmo que não nos apercebamos disso, da mesma forma como as hoje aparentemente vulgares ressonâncias magnéticas e TACs num hospital foram tecnologias de ponta aprimoradas nas missões Apolo à Lua nos anos 60.
Procuraremos assinaturas biológicas em Europa e estudaremos a sua água. Estudaremos a superfície de Calisto, considerada a mais antiga do sistema solar, por ter sido a menos alterada até aos dias de hoje. Exploraremos o oceano interno de Ganimedes, os seus gelos, o seu campo magnético — a única lua com um campo magnético que se conhece até hoje — e como este interage com o campo magnético de Júpiter. Procuraremos compreender como consegue este campo magnético de Júpiter transportar oxigénio e enxofre libertado pelos vulcões de Io até às outra três grandes luas. Estudaremos como variam os ventos em Júpiter. Procuraremos descobrir porque está a encolher a sua “grande mancha vermelha”— onde cabem três planetas Terra — e que reações químicas nela ocorrem. Estudaremos o que as auroras de Jupiter — que também as tem — nos podem dizer como interagem a sua atmosferas e o seu campo magnético.
Tudo isto, e muito mais. Um sem-fim de questões, para as quais teremos cada vez mais respostas, nascendo de imediato novas questões, num ciclo infinito que nunca deixa de nos deslumbrar, nem nos deixa parar de pensar no nosso lugar no Mundo e como o transformar.

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