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Opinião: Sobre perceções

08 de às 09h57
1 comentário(s)

Os últimos dias foram politicamente muito agitados em Portugal. É inegável. Todavia, quando se vive fora e, portanto, menos exposto à bátega informativa nacional, ganhamos em objetividade e distanciamento crítico. Existe claramente uma diferença na forma como se perceciona a realidade.
Rara a semana em que não ouço elogios a Portugal e aos portugueses. De todo o tipo: das qualidades gastronómicas à simpatia natural dos nativos, passando pelas competências no trabalho e, claro está, à qualidade de vida que, em geral, ainda se consegue ter no nosso país. Ainda bem que existe quem olha para Portugal para além da maledicência habitual. Isto, a final, tem uma tradução económica também: em fluxo turístico, mais negócios, mais empregos, mais riqueza.
Na mesma semana em que ficará para a história política pela alta tensão do jogo tático entre os inquilinos dos Palácios de Belém e São Bento, foram conhecidos os resultados económicos do primeiro trimestre do ano – ainda que tenham acabado por ser secundarizados – confirmando que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,5% no primeiro trimestre face ao mesmo período do ano passado e 1,6% em cadeia, o maior da zona euro. Não é coisa de somenos. Sobretudo se acrescentarmos uma redução da inflação e um aumento substancial das exportações.
A verdade é que, perante uma realidade macroeconómica que tem apresentado números acima das melhores expetativas, há inclusive especialistas internacionais – o caso de Daniel Kral, economista sénior da conceituada Oxford Economics – que reconhecem Portugal como o novo “miúdo maravilha” da economia europeia e que, segundo Kral, poderia ajudar a “desenhar um programa de ajustamento para a Alemanha, que está presa no limbo desde 2018”. Se pensa que existe exagero na avaliação deste economista, procure ver os detalhes do respetivo pensamento na rede “Twitter”, onde explicou “tintim por tintim” a sua tese.
Agora, é preciso traduzir todos estes números em vantagens concretas para a vida dos portugueses: na habitação, nas necessidades mais básicas, na saúde, no emprego. Se a realidade confirmar as perceções então teremos o assunto resolvido!

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1 Comentário

  1. Leonor Gaivão diz:

    Erro de percepção!Demagogia de teorias números e indices apresentados!
    Objectivamente falando!
    Tenho em casa uma ajuda doméstica a quem pago o valor justo !É uma amiga!Tudo o que vai para além de valores é mesmo de outro valor!O valor da solidariedade da amizade!
    Esta mulher de Cabo Verde está em Portugal so abrigo dos protocolos com os Palop.Tem uma filha atleta federada em atletismo,uma menina de 20 anos,que na sequência de um acidente a treinar ficou numa cadeira de rodas!Alcoitão despejou a !Considerou que nada mais havia a fazer!A Jamili,assim é o seu nome continua a fazer fisioterapia em Alcoitão.Há dois anos que luta,lutamos para ter um espaço condigno para viver com todas as limitações que a sua condição acarreta!Tem um tecto partilhado com um familiar a quem agradece a generosidade e paga a sua parte!Não será um direito elementar a habitação para esta mulher e filha mais não fora do que 30 m2 e uma casa de banho nas condições exigidas para uma paraplégica? A qualidade de vida neste Portugal que merece muito mais do que este caldo pôdre que é vendido como um “diferenciado consomé” é de facto só para alguns!

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