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Opinião: Proteger o debate parlamentar

09 de às 09h56
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Uma democracia é um projeto sempre incompleto e, portanto, em contínua construção. A ideia de que podemos, sem nos agredirmos, viver juntos perfilhando ideologias diferentes, experiências divergentes e tendo opiniões aparentemente inconciliáveis não é natural. Ela só é possível com a construção paciente da capacidade de escuta e treinando a abertura a ideias diferentes das nossas.
No tempo atual, esta capacidade de nos abrirmos a outros pontos de vista anda em baixo. Os As redes sociais são produtos de empresas que buscam o lucro e, portanto, desenham os seus algoritmos para que chegue, a cada um de nós, uma esmagadora maioria de opiniões parecidas com as nossas. Quando a maioria das informações que nos chega vem filtrada por esses algoritmos, supostamente democráticos, vamo-nos convencendo de que quase todos pensam como nós e que são poucos os que pensam diferente.
Sentindo-nos em esmagadora maioria, deixamos de nos preocupar com os que poucos que pensam diferente. O “truque” comercial das redes sociais é convencer tanto os que pensam branco como os que pensam preto que estão ambos em maioria, assim contribuindo para deixarmos de prestar atenção às “minorias” que pensam de outra maneira. Assim, torna-se fácil acabarmos agrupados na tribo dos que pensam como nós (e que julgamos estar em grande maioria) e, uma vez isolados comunicacionalmente em tribos, aumenta o risco de nos deixarmos capturar por ideias extremistas e de fechamento ao outro. O espaço público é a primeira vítima deste processo porque deixa de servir para o debate de ideias e para o confronto de convicções tornando-se mera arena de exibição ruidosa, truculenta e tribal. Passamos, no mínimo, a ter claques futebolísticas a disputar o campeonato dos decibéis, porque é fazendo mais barulho que silenciamos o nosso oponente e, com tempo, pode até acontecer que a gritaria puxe pela violência que nos leva sempre além do que devíamos.
Historicamente, os parlamentos são, nos regimes democráticos, o local privilegiado para o exercício educado do debate, da retórica e da arte do convencimento. Eles perdem sentido se apenas visarem institucionalizar e ampliar os gritos e os urros das tribos. Em muitos parlamentos de países democráticos, no entanto, tem sido opção de algumas forças políticas entrar no jogo da berraria e dos decibéis, acompanhando essa opção com um tratamento mediático muito profissional e apelativo para os que andam em busca de se sentirem acolhidos numa tribo. Todos os que se recusam a baixar os braços perante a força avassaladora do tribalismo têm hoje o dever histórico de resistir à tentação de entrar nesse jogo em que só pode haver perdedores!

A minha actividade durante a semana passada
Na minha semana parlamentar, continuaram as sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito da TAP. Nos últimos meses, a TAP já fez cair um Ministro (Pedro Nuno Santos) e impeliu agora outro a pedir a demissão. A surpreendente recusa, pelo Primeiro-Ministro, dessa demissão abre um precedente perigoso para António Costa: ao dizer que o Ministro Galamba se ia manter por vontade e confiança do Primeiro-Ministro, António Costa deixou colar o seu destino ao Ministro Galamba. Quando houver outra bronca neste Ministério, quem restará para o Primeiro-Ministro demitir? Terá de se demitir a si próprio?

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