Opinião: 13 de Maio em Bruxelas
Já se tornou uma tradição – todos os anos, por altura do 13 de Maio, vou assistir à procissão de velas em honra de Nossa Senhora de Fátima, em Bruxelas. “Assistir” no sentido de me sentar no café em frente à igreja de Saint Gilles (bairro multicultural com uma grande comunidade portuguesa), observando a azáfama com a chegada dos Portugueses que enchem a praça e a azáfama em torno do evento. No fundo, é uma desculpa para encontrar alguns amigos lusos em volta de uma boa cerveja belga (será heresia?).
A procissão sai às 21h mas uma hora antes já se nota a agitação no largo, com os organizadores a delimitarem o percurso do cortejo com a polícia local, a afinarem o sistema de som (uma coluna com rodas), e a chegada de pessoas já equipadas com velas protegidas do vento.
A multidão, constituída por várias centenas de pessoas predominantemente de origem Portuguesa – mas também agregando a comunidade lusófona -, aglomera-se à porta da igreja e, à hora marcada, sai o andor e inicia-se o trajecto que, em oração bilingue Português-Francês, percorre os quarteirões mais próximos.
No café onde estamos a música desliga-se e as pessoas levantam-se, não sei se em sinal de respeito ou por curiosidade. Qualquer que seja a religião (ou ausência desta), as centenas de velas acesas e a moldura humana da procissão são impressionantes para quem assiste e demonstram bem a força que a comunidade portuguesa tem, não só neste bairro mas também em Bruxelas e em todo o país.



