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Opinião: É apologista da fusão de colectividades?

22 de às 09h37
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NÃO Sou a favor da autodeterminação: das pessoas, dos povos e, obviamente, das coletividades. As que existem devem, naturalmente, escolher em total liberdade, entre associados e órgãos sociais, na posse de toda a informação, se um dia quiserem fundir-se com outra que tenha a mesma vontade.
Pode haver razões para isso. Mas enquanto as pessoas se unem, em casamento, por exemplo, pela vontade de construir um projeto em comum, e os países pela existência de raízes, língua e história comuns e necessidades de defesa ou de escala económica, as coletividades são tradicionalmente baluartes de simbolismo, identidade e história de um território de pequena dimensão, são as guardiãs das pequenas histórias, os cantares, os trajes, os nomes, até as rivalidades históricas, os liberais e os progressistas, os monárquicos e os republicanos.
A Lei de Lamarc estipula que vão sobreviver as espécies que saibam ler os sinais atuais da sociedade e que se consigam adaptar às novas realidades. É o que têm feito as nossas coletividades, na pandemia, no pós-Leslie, em cada crise. E é para a construção dessa resiliência que julgo que é nosso dever, como executivo, contribuir.
A minha experiência com as coletividades diz-me que não há vontade, vantagem ou lógica ontológica na maioria das fusões: elas desrespeitariam a própria essência de cada casa, e afastariam os sócios por essa via. Coisa diferente é possibilitar a colaboração sistemática e a criação de sinergias para o trabalho em rede, respeitando assim a singularidade do contributo de cada associação.

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