Opinião: Crónica de viagem
Faço, por estes dias, um périplo por terras Gregas e Turcas. Das pequenas ilhas das Esporádes aos Mosteiros encavalitados de Meteora. Paro, por ora, em Instanbul para seguir por terras Turcas menos notórias e, sobretudo, mais pequenas.
Instanbul tem vinte milhões de habitantes tendo duplicado a população de cinco para dez milhões e de dez milhões para vinte nos últimos vinte anos…com a ajuda de migrações internas e externas, neste caso em fuga de zonas de conflito. Acolhe as três grandes religiões monoteístas, concentrando centenas de mesquitas, de igrejas e de sinagogas. No Grande Bazaar ouvem-se todas as línguas do mundo!
Sabemos, porque ainda recentemente seguimos as eleições presidenciais, o nível de complexidade da politica interna e os desafios que a geografia e a história colocam aos ombros desta antiquíssima metrópole.
Do lado Grego, sobretudo em Atenas, é visível ainda o impacto devastador que a crise das dívidas soberanas teve na já de si esmagada classe média. À desordem urbanística junta-se uma degradação transversal dos edifícios, do parque automóvel espantosamente fraco e poluente e, sobretudo, a tristeza e desalento de uma camada jovem muito presente, mas visivelmente tensa e zangada com o que o destino lhes oferece.
Em ambos os territórios está igualmente expressa a face menos atrativa do fenómeno turístico.
Sobrecarga dos equipamentos e das infraestruturas, mobilidade pedestre e motorizada caótica, inflação descontrolada nos serviços mais básicos, gentrificação evidente dos bairros mais centrais e uma certa “disneylandizaçao” senão no edificado dos palácios, museus e outros monumentos, certamente nos conteúdos.
Perante tanta complexidade que, na verdade, emerge violentamente de sublimes realidades geo culturais, pergunto-me porque não temos nós Portugal num brinquinho.
Sabemos quem somos e onde vivemos há mais de nove séculos. Falamos uma só língua. Professamos maioritariamente um só Credo. Somos poucos num território facilmente acessível. Iniciamos tardiamente novos sectores de atividade, como o turismo, pelo que podemos perfeitamente aprender e evitar os erros dos outros.
Porque nos embrulhamos em tantas quezílias e deixamos que tantos compatriotas não vivam ainda nas condições que merecem?
Percebendo o grau de dificuldade de outros povos e regiões do planeta, sinceramente, devíamos simples ter vergonha!!


