Opinião: Canícula em Bruxelas
A palavra vem do latim e é a mais usada nos últimos dias na Bélgica – a canícula veio mais cedo que previsto e está a prolongar-se mais do que é habitual. A vaga de calor começou há um mês e ainda se mantem no país que é mais conhecido pela chuva e pelo frio. Depois de 2022 ter sido o mais quente na Europa, haverá novo recorde este ano?
As vagas de calor têm sido mais frequentes e mais intensas nos últimos anos, em virtude do aquecimento global. As diferentes autoridades municipais belgas desenvolvem planos locais para reduzir os seus efeitos na saúde e no ambiente – desde que os termómetros atingem os 28 graus, as populações mais frágeis (idosos, sem-abrigo e pessoas isoladas) merecem especial atenção, organizando-se distribuições de água e visitas de controlo a domicílio.
Num país onde a temperatura máxima no verão era de 23ºC, nos últimos anos este valor ultrapassa os 30. A urbanização das cidades, espaços onde domina o betão em detrimento de espaços naturais, transforma-as em verdadeiras bombas de calor, amplificadas pela poluição. Bruxelas reflecte essa mesma realidade – os 27 graus do termómetro parecem para mim 35 em Coimbra.
A vantagem em relação a Portugal é que, ultimamente, ao fim do dia, cai uma tempestade “tropical”, com chuva que chega a ser de granizo, durante uma ou duas horas. No entanto, as casas, preparadas para guardarem o calor no inverno, não estão equipadas para os dias de calor intenso. O vento, fraco ou inexistente, não ajuda. Nos primeiros anos de calor comprei uma ventoinha, mas temo que já não seja suficiente para combater o calor cada vez mais forte e mais duradouro de Bruxelas…


