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Opinião: 70×7

18 de às 10h23
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Há contas difíceis de fazer. Esta é uma delas. Talvez das mais difíceis. Quanto dá 70×7? O problema não está na conta, nem na calculadora, nem na ‘tabuada’. O problema está no contexto em que surge esta conta.
No Evangelho deste domingo, o discípulo Pedro foi ter com Jesus e perguntou-lhe até quantas vezes se devia perdoar um irmão. A resposta habitual entre os judeus era 3 vezes. Pedro elevando a fasquia arriscou 7 vezes.
Mas Jesus responde dizendo 70×7. Isto é, 490. Esse número não se conta pelos dedos, não é imediato, não é um total, mas uma metáfora que significa ‘sempre’. Não é uma medida nem um limite, mas uma abertura e uma transformação total de mentalidade.
No Antigo Testamento dizia-se que ‘Caim será vingado 7 vezes e Lamec 70×7´( Géneses 4,24 ). E Jesus retoma este horizonte para dizer que agora essa medida deve ser usada não para a vingança, mas para o perdão. Normalmente é mais fácil vingar-se do que perdoar.
Perdoar não é esquecer, nem é ser inocente ou ‘totó’. Perdoar não é coisa de fracos. Perdoar é uma decisão, é aceitar recomeçar, é tirar peso à ofensa e apostar no amor. É preciso coragem e ser-se muito ‘forte’ para perdoar.
Andamos muito autocentrados, muito sensíveis (em relação a nós), muito intolerantes… Por isso, atacamos, ofendemos, agredimos, humilhamos… Mas é preciso fazer inversão de marcha, respirar fundo e recomeçar o caminho. Dar valor ao que tem realmente valor.
A pergunta coloca-se: Porque preciso de perdoar? Para mim há três grandes razões: 1. porque todos já somos perdoados muitas vezes (pelos pais, amigos, esposa, marido, filhos… professores, superiores…); 2. porque quem não perdoa fica amargo, pesado, preso… quem não perdoa destrói-se no desejo da vingança; 3. porque somos perdoados por Deus, Ele perdoa-nos sempre que reconhecemos os nossos pecados e manifestamos o nosso arrependimento.
Precisamos de pedir a graça de um coração capaz de perdoar. Sem perdão ficamos todos mais pobres porque mais arrogantes, mais violentos, mais agressivos…
Sem deixar de exigir respeito e sem admitir humilhações, perdoar é um ato de liberdade profunda, de revolução existencial, de maturidade espiritual. Perdoar é de grandes.

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