Estação Nova de Coimbra recebe anualmente 1,3 milhões de passageiros
O Movimento Cívico pela Estação Nova (MCEN) foi esta quarta-feira ouvido pelos deputados da Assembleia da República. Segundo o porta-voz Luís Neto, a estação de Coimbra-A tem uma enorme importância para a cidade e região. Ao todo, ela recebe anualmente 1,3 milhões de passageiros que, a partir de 2024, vão ser forçados a fazer o transbordo na estação de Coimbra-B.
Uma situação que, de acordo com o porta-voz, não será colmatada com o futuro Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM). Para tal, deu o exemplo da hora de ponta matinal, altura em que chegam quatro comboios em apenas 10 minutos. “Numa perspetiva conservadora, chegam nesses 10 minutos seis centenas de passageiros. Como é que, numa frequência de cinco minutos, vamos conseguir escoar estes 600 passageiros nos autocarros da Metro Mondego?”, questionou Luís Neto. Uma pergunta que, apesar de já ter sido feita à empresa e ao município, ainda não teve resposta de nenhuma das entidades.
Neste momento, a capacidade instalada de lugares sentados na hora de ponta , é de 1.325 lugares (comboio) e no MetroBus será de 540 lugares. No entender do porta-voz, esta decisão compromete a competitividade do comboio em relação ao automóvel, levando a que mais carros entrem na cidade, e “compromete a competitividade do MetroBus porque os veículos vão cheios logo desde Coimbra B”. Por outro lado, compromete futuros investimentos previstos na ferrovia, o futuro passe intermodal da CIM Região de Coimbra ou o efeito dissuasor do comboio para o sistema de park & ride em locais como Taveiro, Souselas, entre outros.
O porta-voz lembrou ainda que o comboio não é impeditivo da ligação da cidade ao rio Mondego, dando como exemplo outras cidades europeias onde passagens superiores ajudaram a resolver esta alegada “barreira”.
Dúvidas dos deputados
Do lado do PSD, o deputado João Paulo Barbosa de Melo recordou a história deste processo e as alterações que ele sofreu ao longo dos tempos. Na sua intervenção, deixou algumas dúvidas em relação a esta opção. “Não conheço os estudos, mas aquilo que foi vendido a Coimbra é que ou se faz isto ou, então, não se faz nada”, referiu. Apesar disso, o antigo presidente da câmara de Coimbra reconheceu que a questão, neste momento, passa pela variável tempo, de forma a se encontrar “a melhor solução”.
José Carlos Barbosa, do Partido Socialista, levantou algumas dúvidas em relação ao sistema BRT como uma opção de futuro. “Esta opção vai custar muito mais ao país do que as anteriores”, referiu, defendo no futuro o regresso à opção dos carris.
Pelo PCP, o deputado Bruno Dias elogiou o trabalho desenvolvido pelos peticionários e recordou que o seu partido tem sido sempre contra o desmantelamento da Linha da Lousã. “Existem outras opções técnicas, mas esta é claramente uma opção política”, frisou, considerando que o Metrobus é uma “armadilha” criada para a região.
Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, referiu que, caso este processo seja parado, estar-se-á a cometer o mesmo erro do que quando se decidiu “desmantelar a Linha da Lousã”. “Não percebo a vantagem do Metrobus”, disse a deputada bloquista na audição.
Filipe Melo, eleito pelo CHEGA, salientou que esta não é uma solução que agrade ao seu partido, garantindo que estarão ao lado dos responsáveis pela petição contra o encerramento de Coimbra-A.
Folga de Coimbra-B
Luís Neto, do movimento, explicou que o fator tempo invocado reside no facto do encerramento da Estação Nova estar dependente da conclusão das obras em Coimbra-B. “Como tal ainda não aconteceu, podemos usar esse período para pensarmos melhor o que devemos fazer para reverter a decisão”, disse.
Refira-se que cabe ao deputado socialista eleito por Coimbra, Pedro Coimbra, ser o relator das audições que decorrerem no âmbito desta petição na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação.
Após as audições, será feito um relatório que tem de ser aprovado nesta comissão, indo ser depois dado conhecimento ao membro do Governo com esta pasta e publicada a decisão em Diário da República.
Devido ao facto de ter apenas reunido o apoio de 3.411 subscritores, esta moção não será discutida em sede de plenário, explicou no início o deputado-relator Pedro Coimbra.


