Opinião: 15 anos de Bruxelas
Por estes dias celebro 15 anos de vida em Bruxelas. É uma eternidade! Até eu me espanto com a velocidade a que o tempo passa… Cheguei em Abril, sem mala de cartão, mas com muitas dúvidas e ao mesmo tempo muita determinação também. Comecei insegura, mas certa de que era a mudança que precisava na minha vida. Se não me arrependi até agora, é porque tomei a decisão certa naquele longínquo mês de 2008.
Padeço daquele mal que muitos emigrantes portugueses sentem também: a nostalgia e a saudade que apertam nos momentos menos bons. O colo da família e o ombro dos amigos de sempre faltam nos dias mais cinzentos. No entanto, Portugal está a 2 horas de distância e o mundo virtual encolhe as distâncias. E com o andar dos anos os amigos de cá foram ficando amigos de longa data também – daqueles com quem se pode contar sempre.
Ainda hoje me perguntam se voltava a Portugal – respondo que regresso quando as condições de trabalho forem as mesmas ou similares. Ou seja, nunca. Ou antes, se e quando chegar à reforma, aí sim, julgo que quero voltar à terra que me viu nascer. Talvez nessa altura já use palavras francesas no meio das frases em Português, coisa que ainda não me acontece frequentemente.
A Bélgica, no seu surrealismo, no seu ar aparentemente inóspito, tem um lugar especial no meu coração – casa adoptiva que me acolheu com o calor humano que o frio do país não faz adivinhar. Foi aqui que me realizei a nível profissional. A título pessoal, foi também aqui que atingi algumas metas importantes na minha vida. Concretizei sonhos. Aqui sou feliz, mesmo sem nunca esquecer o aí.


