Geralopiniao

Opinião: 2023: what’s next?

23 de às 10h27
0 comentário(s)

Muda a folha do calendário e entramos em 2023. O entusiasmo parece desvanecer pois fruto dos efeitos da pandemia, guerra na Ucrânia e recessão, os últimos três anos foram alguns dos mais difíceis da história recente. Na esfera das empresas não foi muito diferente: nos primeiros meses da pandemia, assistimos a despedimentos e mudanças em massa. Os trabalhadores, com a mudança para o paradigma de teletrabalho, procuraram novos empregos que garantissem uma melhor qualidade de vida. O fenómeno atingiu proporções significativas e ganhou um nome: Great Resignation. Já em 2022, assistimos a um novo fenómeno designado por Quiet Quitting, uma atitude em que os trabalhadores procuram cumprir apenas o mínimo que era esperado, recusando-se a trabalhar em diferentes projetos ou a ter mais responsabilidades.
2023 arrancou marcado por crescentes tensões no sentido de encontrar o equilíbrio saudável entre a vida familiar, pessoal e laboral. É um exercício complexo e frágil: as condições de partida são diferentes para unidades industriais ou prestadores de serviços digitais. Mas, em ambos os casos assistimos a um outro conflito que há muito se trava e que se tem intensificado nos últimos anos: “a guerra do talento”. A escassez de profissionais qualificados é um dos maiores desafios ao crescimento económico do nosso país. Consequentemente, os esforços de gestores/empresários terão de concentrar-se nas estratégias de atração e retenção de talento, ao mesmo tempo que tentarão navegar a incerteza que se antevê.
O ano passado recordou-nos uma lição tão básica quanto essencial: os recursos humanos são a força das empresas. As empresas necessitam, mais do que nunca, de trabalhadores capazes de enfrentar desafios complexos com a adaptabilidade que os novos tempos exigem. Se os profissionais sentem que as organizações não respondem às suas necessidades nem mostram disponibilidade para as ouvir, o descontentamento pode tomar conta e gerar as demissões e a instabilidade que corroem as hipóteses de sucesso da qualquer empresa.
Como respostas, olho com um foco particular para o reforço da cultura e o envolvimento das equipas na definição dos objetivos e metas. As empresas têm de fazer mudanças que coloquem um ênfase verdadeiro na diversidade, equidade e inclusão. Considero este passo decisivo para “ouvir” melhor o que as diferentes sensibilidades existentes nas equipas têm para dizer.
Citando uma famosa passagem: “Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório (…)”. É critico que cada gestor (re)faça o exercício de entender o que verdadeiramente representa uma empresa, os valores que a norteiam e o propósito com o qual as pessoas se possam identificar. O mundo é cada vez menos cinzento e as empresas não se podem fechar em conselhos de administração ermitas ou consultores “de catálogo”. A diversidade de pensamento, a capacidade de ouvir e decidir tendo os olhos na mudança exterior, ditarão os desafios de gestão para os meses que se avizinham.
Reitero o que escrevi neste jornal no início do ano passado: a inovação no contexto empresarial passará pelos temas da Transição Tecnológica; Sustentabilidade e Transformação da Experiência do Cliente. A incerteza continuará “certa”, mas há razões de sobra para olharmos para 2023 com otimismo. Num próximo artigo abordarei as principais tendências e mudanças tecnológicas para este ano, mas não resisto a formular já uma previsão: aposto que uma das palavras do ano será recriar.

Autoria de:

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Geral

opiniao