Opinião: A astronomia e a origem do tempo
Acabados de virar o ano vem a calhar falar do tempo, que contamos e medimos com critérios intimamente ligados aos astros. Os ritmos e padrões da sociedade têm origem nos movimentos da Terra e da Lua, de modo por vezes óbvio (dia e noite), mas nem sempre (mês), e em certos casos duvidoso (semana).
Ora o mais antigo ritmo a influenciar a humanidade é o do Sol, que uma vez por dia percorre o céu de nascente a poente. Este movimento é aparente. Na realidade resulta da rotação da Terra sobre si mesma – como quem gira numa cadeira rotativa em frente a uma janela e vê a mesma aparecer num lado do campo de visão e desaparecer do outro a cada rotação. Aí está: a duração do dia, que gere os tempos em que acordamos e tomamos o pequeno-almoço, em que seguimos para as nossas rotinas diárias, até à altura de ir dormir outra vez, é o que é devido à rapidez de rotação da Terra.
Um ano é o tempo que a Terra demora a percorrer a sua órbita em torno do Sol. Dá-se o caso de a Terra rodar 365 1/4 vezes sobre si própria ao longo da órbita, o que nos dá 365 dias por ano, mais uns pózinhos que são corrigidos em anos bissextos. Já agora, Vénus demora só 225 dias a completar a sua órbita por estar mais perto do Sol, e Marte demora 687 dias por estar mais longe. Ou seja: a duração do ano, que orquestra os nossos ciclos de trabalho e férias, o ritmo de celebrações tais como o Natal ou as festas das aldeias, e o número a que chamamos a nossa idade, é-nos imposta pela distância do Sol à Terra.
Visto do Sol, a Lua completa a sua órbita em torno da Terra a cada 29 1/2 dias. Esse é o tempo entre duas luas cheias, que cabe pouco mais de 12 vezes num ano. E daí a duração do mês. Embora os 12 meses se tenham tornado dominantes, ao longo da história houve quem seguisse calendários puramente lunares que incluíam ocasionalmente um 13º mês para acerto. Assim, a periodicidade com que recebemos o nosso vencimento e pagamos os nossos consumos resulta do sistema Lua-Terra-Sol.
A origem dos sete dias da semana é mais incerta. Embora quatro semanas caibam aproximadamente num mês lunar, o número 7 poderá ter outra origem nos astros, nomeadamente no número típico de estrelas das constelações mais salientes no céu, tais como a Ursa Maior ou as Pleiades. Assim, um dos ritmos mais antigos e relevantes para a nossa vida, que nos traz o tão aguardado fim-de-semana, continua a ser alvo de estudo pelos historiadores da ciência.


