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Opinião: À Espera do Cometa Desconhecido

06 de às 10h41
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No final de 2029 será lançada a bordo do foguetão Ariane a missão ARIEL que irá estudar centenas de planetas extra-solares. Mas a ARIEL não vai só: à boleia leva outra sonda, mais pequena, chamada Comet Interceptor. É desta última que vos vou contar.
A Comet Interceptor (abreviada Comet-I) é uma missão ESA da classe F, do inglês “Fast”. Missões classe F são desenvolvidas mais depressa, com menos recursos, e partilhando tecnologia (neste caso até o próprio lançador) com outras missões. Mas não se pense que se trata de uma missão tipo “parente pobre”. A Comet-I tem por objectivo algo único em mais do que um sentido: visitar um cometa que não conhecemos, e que pode desaparecer para sempre depois de o visitarmos.
Logo após a formação dos planetas, circulavam no sistema solar uma imensa multidão de restos que sobraram do processo. Imaginem uma criança que acabou de construir um planeta de LEGO e o chão coberto de peças que não foram precisas. Não é bem assim, mas dá uma ideia.
Na região entre os gigantes Júpiter e Saturno, esses restos, chamados planetesimais, foram rapidamente removidos. Uns colidiram com planetas ou com o Sol, mas a maioria passou a rasar um dos planetas e foi acelerada para fora do sistema solar. Muitos foram projectados com a velocidade certa para ir parar à chamada nuvem de Oort, uma estrutura esférica que envolve o sistema solar, milhares de vezes mais distante que Neptuno.
A nuvem de Oort, baptizada em homenagem ao astrónomo holandês Jan Oort, retém assim cerca de 100 mil milhões de fósseis da origem do sistema solar. A enorme distância ao Sol implica uma temperatura de –267ºC. Como nasceram para lá de Júpiter, já a temperaturas inferiores a –110ºC, estes objectos preservam a composição original. Daí serem tão interessantes.
De tempos a tempos, a nuvem é perturbada por uma estrela errante ou pela própria galáxia, enviando um planetesimal em direcção ao centro do sistema solar. A viagem, que dura alguns milhões de anos, devolve um fóssil gelado, pela primeira vez, ao calor do Sol e da Terra. O gelo sublima e o objecto aparece-nos como um Cometa Novo.
É precisamente um Cometa Novo que a Comet-I irá estudar. A missão é muito difícil de planear. Os tempos de chegada destes objectos são imprevisíveis, assim como a direcção de aproximação, o tamanho, o nível de actividade, etc. Mas são essas dúvidas que nos fazem querer ir à procura de respostas. Na próxima coluna explico como nos preparamos para o desconhecido.

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