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Opinião: A “futebolização” do basquetebol não é aceitável nem justificável

23 de às 10h39
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Quem viaja para assistir a uma final entre o Real Madrid e o Barcelona, é natural que sinta inseguro, principalmente quando se é português.
Como sabemos, a rivalidade entre estes monstros do desporto mundial é enorme, absolutamente estratosférica.
Nada que se compare, seja em euros como em número de espectadores, ao que se passa em Portugal, o país do mundo com as fronteiras definidas há séculos.
Espanha está longe de ser um país uno, com imensas diferenças regionais.
Ora, o Real Madrid perdeu “em casa” o campeonato espanhol para o Barcelona. Seria natural, diria eu pobre mortal, que Madrid se iria transformar num imenso campo de batalha.
Aconteceu exactamente o contrário. Todos os espectadores saíram sem problema, cada um com o cachecol do seu clube, sem insultos nem violência.
Claro que estamos a falar da modalidade basquetebol, apesar de terem estado presentes 15 mil adeptos presentes na final.
15 mil adeptos num só jogo, é muito mais do que muitos clubes da nossa liga de futebol conseguem juntar como visitados recebendo Benfica, Porto ou Sporting.
Quando vemos adeptos “colocados em caixas”, protegidos e guiados pela polícia de intervenção – quem pagará a conta? – a caminho de um estádio de futebol, percebemos que, “por muita Europa que sejamos”, nunca passaremos de um país de 3º. Mundo!
Claro que muita da culpa está no poder político, fechado no seu casulo clubístico – Deputados a receberem delegações de dirigentes dos seus próprios clubes, onde tal se já viu? – porque não consegue legislar em consonância do que deve ser a ordem pública.
Quando todos temos a ideia que muito do poder judicial está enfeudado ao futebol, diremos, para onde caminhamos?
Ninguém deseja a futebolização do basquetebol como de outras modalidades desportivas. No entanto, ultimamente factos há que, pela sua dimensão e gravidade apontam para o recrudescer da violência verbal e física que as pode colocar num outro patamar.
Há que ter juízo, recolocar a cabeça entre as orelhas, perceber que a vitalidade de uma modalidade está na forma como se treina, como se joga, como se entusiasma.
Cada um de nós é agente de mudança. Para melhor, direi!
Esse meu Amigo que, com o seu filho foi ver um jogo intenso, espera que na próxima época os clubes, todos, principalmente os de mais capacidade financeira e que normalmente arrastam mais adeptos aos pavilhões, sejam eles próprios agentes da mudança.

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