Opinião: A nova estratégia para a programação é a adequada para tornar o Convento São Francisco uma referência na zona Centro?
NÃO
O sentido de estratégia que significa fixação de objetivos, utilização de metodologias e elaboração de planos, para alcançar resultado específico, está subvertido, no caso do Convento S. Francisco.
Apesar de o líder municipal se referir primeiro como vereador (da cultura e só depois como presidente…), confunde estratégia com tática, o que redunda em marketing cultural autoelogioso, expressões bombásticas alegóricas e conteúdos variados, com a ambição de chegar a todo o lado, numa desajustada agitação e propaganda de outros contextos, mas que não significam temáticas diversificadas, em público alvo, artes e literacia.
Além disso, a estratégia cultural deve englobar todos os espaços físicos condignos, as capacidades existentes do roteiro cultural de Coimbra e a criatividade e produção dos atores da sociedade civil, o que não é exclusivo do Convento S. Francisco, que fica como estrutura centralista, dominadora da autonomia e independência do tecido cultural e do património da cidade.
O Convento S. Francisco deve afirmar-se como referência internacional (vide os eventos artísticos, técnicos e científicos de outrora), e não como estrutura regional, limitativa da expansão da arte de Coimbra e da receção da performance do mundo.
Não distingue sequer turismo de negócios de turismo sustentável, aborda as artes performativas, mas subvaloriza as artes visuais, atira para as calendas experiências de sucesso e não revela inovação em iniciativas clássicas, não aposta claramente no associativismo cultural.
Um cartão “amigo” com anuidade paga e só para alguns espetáculos é uma falácia.


