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Opinião: A semana que não devia contar

18 de às 10h00
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A maioria das empresas europeias que operam no Gana reduzem significativamente a sua atividade uns dias antes do Natal e voltam ao trabalho a partir da segunda semana de Janeiro. É um período em que os expatriados aproveitam para voltar a casa, estar com a família e recarregar baterias para mais um ano de intenso trabalho. Sendo o Gana um país maioritariamente católico, os Ganeses vivem intensamente o Natal aproveitando este período também para voltar às suas aldeias, rever família e amigos, muitos deles emigrados na Europa e nos Estados Unidos da América.
Eu, como muitos conterrâneos emigrados, passei este período em Coimbra. Uma cidade que tem pouco para oferecer neste período do ano, ainda mais quando a chuva e o mau tempo são uma constante. Este ano, quem tem filhos pequenos não teve a oportunidade de os levar à tradicional pista de gelo, a menos que fossem até à Figueira da Foz ou até Anadia. Salvou-se a passagem de ano que, ao que dizem, foi um sucesso em Coimbra, principalmente quando comparada com as das cidades costeiras que, infelizmente, tive-ram as suas festas canceladas devido ao mau tempo.
É difícil desfrutar da semana entre o Natal e o final de ano, em Portugal. É uma semana que nem devia contar para o calendário. Os que estamos de férias, andamos ali meio zombies, sem saber bem o que fazer, ainda meio enjoados dos excessos da consoada. Em Espanha, qualquer cidade, de pequena ou média dimensão, tem gente de todas as faixas etárias a passear na rua, nos bares ou em restaurantes, convivendo e festejando esta época, faça chuva ou faça sol. Nós vamos para centros comerciais. Marcamos almo-ços ou jantares com amigos mas não é comparável com aquela dinâmica espanhola de saltar de bar em bar, “picando” umas tapas e bebendo uns bons vinhos. Não faz bem à saúde, é um facto. Mas faz bem à alma.
Há bons locais na baixa de Coimbra onde se poderia tentar reproduzir esta “movida” mas tenho a impressão que a adesão não seria a mesma. É mesmo uma questão cultural. Mas é pena, porque olhando para o exemplo de cidades similares à nossa, como por exemplo Salamanca ou Santiago de Compostela, seria uma das melhores formas de di-namizar o nosso lindíssimo centro histórico.

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