Opinião: Académica/OAF: Morte anunciada com manifesto exagero
Declaração de interesses: sempre fui e ainda sou defensor do modelo de Autonomia que, ao abrigo dos Estatutos da AAC, se aplica ao futebol profissional da Académica e penso mesmo que esse modelo deveria até estender-se às demais modalidades que, usando o mítico emblema da Briosa, (epíteto que herdou da Academia que a viu nascer), pratiquem desporto de alta competição, com o Basquetebol à cabeça, mas também com o Rugby, o Futsal, o Hóquei, o Andebol, o Voleibol, etc.
E sou-o porque me parece evidente que não obstante as virtudes do Conselho Desportivo e o esforço permanente dos seus dirigentes, coordenar uma política desportiva com realidades tão distintas como o amadorismo puro e o profissionalismo consolidado, não é, nem por sombras tarefa fácil, para já não falar no que, no atual modelo, se perde em “espírito de clube” (tempos houve em que as Secções festejavam derrotas umas das outras, só pelo significado que os insucessos alheios tinha em benefícios próprios, em matéria de transportes, espaços de treino etc.).
Sou-o, ainda, porque considero, que independentemente da valorização do desporto universitário, amador e de lazer, a Académica tem uma responsabilidade desportiva histórica tão grande, ou quase tão grande, como o seu encargo “sindical” de representar os interesses dos estudantes da Academia de Coimbra.
É que em matéria desportiva, a Académica está longe de ser uma instituição só dos estudantes, ou só da Universidade de Coimbra.
No que ao desporto diz respeito, a Académica extravasa claramente esses limites: não é apenas do estudante, mas é também do cidadão-comum, não é exclusivamente da UC, mas sim da cidade, do país e até do Mundo, como o provam as dezenas de “cópias” suas, que se espalham por outras latitudes, como por exemplo a África lusófona,
E é com base nesta dimensão “planetária” e nesta inexorável importância histórica, que todos nós, todos quanto se revêm no mágico losango da velha torre, têm a acrescida responsabilidade de não só, não deixar morrer a Briosa, entendida aqui como a AAC/OAF, como ainda de a reerguer sob alicerces mais sólidos, que perdurem no tempo.
Para esse efeito, importa pouco o habitual passa culpas de gestão em gestão e não contribui nada o clima de “permanente guerra civil” em que a nossa instituição se encontra, desde pouco depois do virar do milénio.
Vale antes diagnosticar a situação com a maior objetividade, elencando e colocando em prática as medidas adequadas.
A esse propósito, devo confessar que tenho as maiores dúvidas sobre o processo de insolvência a que a Direção da Académica apresentou a nossa instituição, sobretudo tendo em conta que tinha à sua disposição uma solução melhor, traduzida num parceiro privado, para constituição de uma SAD, cuja entrada – já negociada e assinada – seria suficiente para pagar todas as dívidas de curto prazo, situação à qual acrescia ainda uma significativa verba para investimento imediato na equipa de futebol.
E as dúvidas que eu tenho serão seguramente partilhadas por muitos associados, mesmo por aqueles que outrora tanto se manifestaram quanto a questões que não colocavam em causa a vida futura da instituição (apenas lhe alteravam o paradigma) e agora, perante uma realidade que pode conduzir à extinção da Briosa (o Diabo seja cego, surdo em mudo!), se refugiam num mutismo ensurdecedor.
Mas não serão essas dúvidas que farão de mim um opositor, nem do processo, nem da Direção, desde que inequivocamente salvaguardados os interesses da instituição e desde que não se pressinta que há interesses terceiros que se sobrepõem aos da nossa causa.
É que a tarefa que a Académica enfrenta é hercúlea e por isso mesmo, precisa de todos:
Na realidade os desafios são mais que muitos: sanear as finanças, regressar à divisão principal do futebol português, reequacionar os escalões de formação, modernizando e expandindo a Academia, criar uma comunicação mais interativa e mais dinâmica, resolver a ambiguidade gerada pelas “duas Académicas” articulando o trabalho com a Secção de Futebol (da qual sou igualmente adepto fiel, registe-se), recuperar sócios e angariar novos adeptos e simpatizantes, sobretudo entre as camadas mais jovens da cidade e da região, redimensionar a marca e criar uma estratégia comercial e de marketing mais agressiva e apelativa, etc…
Mas não é por se tratar de um ciclópico caderno de encargos que não seremos capazes de o cumprir. A velha Briosa tem força e é capaz de reinventar-se nos momentos difíceis, unindo-se e agigantando-se, perante os obstáculos mais intransponíveis.
Quem não sabe disso, não conhece a nossa história e quem não conhece a nossa história não é um de nós.
Está na hora de todos juntos, lhe fazermos jus, para que a morte anunciada do nosso emblema, não passe de uma proclamação manifestamente exagerada.
Eu direi presente! Académica sempre!


