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Opinião: “Açorda de temáticas”

07 de às 13h03
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Um mealheiro não é um cofre! Uma carteira não é um alforge. Um cofre não pode ser uma churrasqueira porque os bens lá guardados não se trituram, não servem para desbaratar. No entanto, à Rua dos Bacalhoeiros em Lisboa lá está a churrasqueira o cofre.
Terminada a conversa em Forte Knox ali ao largo do Rato, vai-se à churrasqueira Cofre queimar mealheiros. Este é o país da mãozinha onde os portugueses confiaram as suas poupanças. Neste momento pagam a maior quantia jamais vista de impostos directos, indirectos e taxas. Também estamos perante a maior produção de obra pública de necessidade duvidosa jamais pensada, mesmo comparando com os tempos do Cavaquismo betonado. Não estamos a fazer auto estradas, nem a construir a Torre Eiffel, nem uma nova expo, mas estamos a sonhar com milhões de euros que vão ser entregues pelo PRR sem a capacidade de vigilância pela oposição. O problema português está precisamente no PSD, CDS e Bloco, que têm de pensar seriamente neste problema: o que leva o povo a iludir-se com o homo larapiens? O que impede a confiança na oposição? O que prejudica a imagem dos partidos na hora do voto?
Uma das razões é a não clara distanciação dos partidos aos seus militantes suspeitos de abuso do poder. Um pecado do PSD com muitos dos seus antigos quadros que foram condenados. Outra é a dificuldade em definir linhas que marcam lideranças sem demagogia e sem medo. Outro pecado do PSD e do CDS que não se afastaram das decisões erradas da banca no passado. Até lá o homo larapiens está em Forte Knox a cuidar dos mealheiros alheios e aforrar os cofres que tem em casa.
Um pecado do Bloco é a falta de análise consequente, menos ideológica, mais prática sobre a TAP. Entretanto, brinda-se na Churrasqueira Cofre onde queimam os nossos mealheiros feitos de suor. O matador da classe média infelizmente não tem opositor credível no entender das sondagens, e isso preocupa-me! Um povo iludido por uma estrutura oleada a milhões que é mediática e tem a capacidade de inundar as manhãs dos idosos sentados frente aos écrans. Todos os programas se assemelham. Tudo o que debitam é parecido, a informação que cai sobre nós é sem opositor, sem contraditório. Nunca sem insulto chegará quem explique as desvantagens do 5G, ou quem se oponha à ideia de alterações climáticas humanamente dependentes, ou quem ouse falar de medidas contra o açúcar e a redução da carne.
Mas também foi quase impossível ouvir quem defendesse os números bons da governação Bolsonaro ou Trump. Agora o silêncio caiu sobre os defensores de Putin. Se não ouvirmos o contraditório não perceberemos as vantagens do que estamos a fazer. O mundo não é a preto e branco excepto quando a ditadura substitui a democracia. Há uma vergonhosa descriminação dos desportos para lá do futebol na própria televisão estatal. Notou? Já falei sobre a música noutros artigos. Nota que não se ouvem novidades com facilidade? O negócio subjaz nesta realidade que nos coloca nos cofres do homem larapiens. Tudo é controlado com o objectivo dos ganhos secundários. A obra pública só não cai nas mãos dos amigos se houver verificações, escrutínio das decisões.
A oposição moderna tem de se tornar mais eficaz, mais aberta, mais analítica deste grande negócio no sentido de trazer dois objectivos: um estado mais pequeno, com uma entrega de mais proventos a quem os produz.

Pode ler a opinião na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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