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Opinião – Ainda… A cidade COLDPLAY

10 de às 10h00
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Tendo sido este tema, os concertos dos Coldplay em Coimbra, um dos assuntos mais badalados nas últimas semanas na nossa região e no país, na área da cultura foi o maior com certeza, corro o risco de este ser mais um balanço, entre os inúmeros disponíveis. E de “perder” para outras análises, bem mais competentes. Porém, este grande momento, que na verdade foram quatro, é o mote para abordar aqui também a política de organização de eventos como estratégia para a dinamização económica dos territórios, sendo igualmente fundamental para a promoção turística.
Sobre os Coldplay, que depois de Coimbra andam pela Europa e mundo fora, só acrescentar mais isto, que não vos maço mais: extraordinário espetáculo de som, luz e imagem, mas que a isso não se resume dada a inclusão de importantes mensagens e atitudes sociais e que, por toda a dinâmica que se imprime a duas horas de concerto, promove a comunhão entre todos os que ao mesmo assistem. Uma espécie de exercício intimista em espaços de grandes dimensões e com largas dezenas de milhares de almas aderentes a cada vez. É obra, é de artista(s)! No nosso caso, grande sucesso promocional para a cidade, região e país, quer entre os nacionais que a Coimbra se deslocaram, quer entre, com certeza, os milhares de estrangeiros, na sua maioria espanhóis, que também por aqui andaram e… consumiram.
Efetivamente, os eventos, que podem ter dimensão variada e temáticas diversas, são um excelente veículo promocional de um território, atraindo milhares de pessoas, por um ou mais dias, o que se traduz num processo de dinamização económica com retornos importantes. Imediatos, mas também a prazo, com lastro, pois é importante deixar uma marca e uma vontade de voltar a tantos que viveram uma determinada experiência, uma experiência que se vai passar a outros, que hoje se quer muito passar a outros, com os meios digitais em primeiro plano e com capacidade de disseminação global e perene.
Sabemos bem, nomeadamente no contexto socioeconómico que vivemos, o quão importante é para as empresas poder beneficiar deste tipo de acontecimentos. Coimbra e região tiveram naqueles dias a sua hotelaria com ocupação (quase) máxima, a sua restauração, cafés e similares com extras de faturação muito relevantes, uma importante ajuda para ultrapassar dificuldades. Mas importa que estes momentos não sejam apenas “balões de oxigénio” que depressa se esvaziam, antes se devem transformar em produto e oferta estruturada e sólida. Essa é uma das virtudes dos eventos, pois ajudam também no combate à sazonalidade no que ao calendário turístico diz respeito, embora não os devamos fazer coincidir com outros acontecimentos importantes, ou seja, sobrepor eventos, regra de ouro nesta estratégia promocional e de desenvolvimento (os concertos dos Coldplay coincidiram com os primeiros dias da Queima das Fitas…).
Desta forma, o equipamento Estádio Cidade de Coimbra deveria ter um evento desta escala, ou pelo menos aproximada, a cada ano. Desde 2003 tivemos os Rolling Stones, George Michael, U2 (dois concertos), Madonna e Andrea Bocelli, não esquecendo a banda local, hoje também cada vez mais nacional, Os Quatro e Meia, que ainda recentemente conseguiram atrair 15.000 espetadores àquele espaço. E agora os quatro dias dos Coldplay. Tudo isto foi bom (até já representa uma média de um concerto a cada dois anos), mas podia ser mais e melhor. Há, portanto, que ter ambição, capacidade e competência, garantindo a sustentabilidade 360o destas organizações, a incontornável transparência no que à parte dos investimentos públicos diz respeito… e ter os contactos certos. Em boa parte disto já demonstrámos que sim. Estamos, portanto, no caminho certo.

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