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Opinião: Ainda sobre os Coldplay, em Coimbra…

12 de às 11h58
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Não nos livramos dos “velhos do Restelo” e isso ficou patente em algumas das vozes críticas à organização, em Coimbra, de quatro concertos dos Coldplay, em maio do próximo ano. É certo que são incomparavelmente menos que os 200 mil fans que decidiram comprar bilhetes, mas ainda assim valerá a pena recordar alguns factos sobre a indústria da música. A respetiva importância e oportunidades.
O mês passado a “Live Nation”, maior empresa de promoção de eventos do mundo, anunciou que apenas no primeiro semestre deste ano já vendera 100 milhões de bilhetes para concertos, isto é, mais do que a totalidade dos bilhetes comercializados em todo o ano de 2019, exatamente antes da pandemia. Isto diz muito sobre a pujança deste setor de entretenimento, a relevância social da música e a elevada procura por parte de fans, sobretudo num contexto pós-pandemia.
Igual tendência de crescimento constara já do último Global Music Report da IFPI (entidade que representa a industria fonográfica mundial), mostrando que as receitas totais em 2021 foram de 25,9 mil milhões de dólares, representando um crescimento de 18,5% face a 2020 muito impulsionado pelos números impressionantes dos serviços de “streaming” (ex.Spotify), que contavam no ano passado com 523 milhões de utilizadores pagantes. Esta tendência segue…
Importa sublinhar que estes números representam milhões em “royalties” pagos a artistas alimentando assim a cadeia criativa; e outro tanto para investimento pelas produtoras na descoberta e promoção de novos talentos musicais. Usando o exemplo do Reino Unido, as editoras britânicas investiram 494,8 milhões de libras, em 2021, no apoio à carreira e ao desenvolvimento dos artistas, marketing e promoção, portanto mais que o dobro do investimento feito em 2016, segundo a British Phonographic Industry.
E vale a pena não esquecer muitos milhares de empregos diretos e indiretos, a maior parte dos quais em pequenas empresas; assim como muitos milhões pagos em impostos e imenso valor gerado para a hotelaria e restauração. Em 2021, as indústrias criativas, de que a música faz parte, representavam 4,4% do PIB da União Europeia e empregava 8 vezes mais que o setor das telecomunicações, por exemplo.
A música ajudou a colocar no mapa, com todos os ganhos económicos atinentes, terras como Vilar de Mouros e Paredes de Coura mostrando o potencial próprio que vai para além das dimensões cultural e criativa. Coimbra só tem a ganhar se entrar de forma programada e sustentada – e não esporadicamente ou a cada dez anos! – no roteiro dos grandes concertos europeus. Mas o sucesso dá muito trabalho e não acontece por acaso.

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