Opinião: Aqui todos são um “Mate”
A Austrália é conhecida pelo seu estilo informal de tratamento. Esse informalismo reflete-se em várias situações e é bastante notório quando as pessoas se tratam por “mate” – uma expressão informal para amigo ou companheiro. Este é um reflexo de uma sociedade onde as hierarquias são mínimas. Sim, existem hierarquias, mas todos são tratados como iguais.
Em contraste com a tradicional Europa, é normal chamar as pessoas pelo primeiro nome. Por exemplo, quando vamos ao médico, na receção dizem-nos: “Podem entrar agora para a Katrina vos ver”, sem a formalidade do título de doutora ou senhora doutora; primeiro nome, não o apelido. Nas universidades, os professores são tratados pelo primeiro nome. Lembro-me bem quando um professor meu, britânico, se apresentou como Doutor na primeira aula e gerou imediatamente um burburinho e risos – claramente tinha quebrado as regras culturais.
Nos autocarros, a situação não é diferente. Ao entrar, é comum os passageiros dizerem “Hi Mate” e, ao sair agradecer com um “Thanks, Mate”. É difícil entender completamente o impacto cultural deste efeito. Acredito que a igualdade social seja influenciada pelo facto de ser tão difícil encontrar pessoas para colheita de frutas, ou canalizadores, como encontrar um médico ou um professor universitário. Todos precisam, uns dos outros, independentemente do que fazem. Todos msão um Mate e ninguém é mais ou menos Mate que o outro.


