Opinião: As obras no polo da saúde justificam os constrangimentos de circulação automóvel?
NÃO
Não há justificação para o caos generalizado na circulação em toda a cidade e o mega estaleiro que é hoje Coimbra e que transformou qualquer deslocação trivial num verdadeiro pesadelo.
Qualquer obra desta magnitude implica constrangimentos na circulação automóvel. Essa não é, contudo, a questão principal. O essencial, nas obras do polo da saúde, incluindo as intervenções do metrobus na zona dos hospitais, é a garantia de acessos rápidos aos cuidados de saúde e de circulação numa zona problemática e que não estão a ser assegurados. Basta atentar nas longas filas de veículos que demoram mais do que o aceitável a chegar a um hospital central com uma área de influência suprarregional.
Em termos de circulação automóvel, o maior problema que se vive hoje reside nas perturbações constantes em todos os acessos à cidade, com frentes de obra, alterações, supressão de vias e cortes de trânsito simultâneos em todas as entradas em Coimbra, sem outras opções, levantando sérias dúvidas sobre a capacidade do atual Executivo de coordenar globalmente as intervenções no espaço público. Tudo isto convive com a indiferença de um Executivo que, há muito, sabia dos constrangimentos e não preparou convenientemente um plano de alternativas.
Seria cómico, se não fosse trágico, já que se trata do mesmo Executivo que, em campanha, prometeu “intervir rapidamente para resolver alguns dos pontos de congestionamento que permitem soluções rápidas, como a rotunda do Almegue e, em articulação com os CHUC, resolver em definitivo o problema das acessibilidades aos HUC”. Mais uma promessa falhada.



Se os senhores do Partido Socialista não tivessem demorado 20 anos a autorizar esta obra, enquanto Governo, então Coimbra saberia que poderia fazer os trabalhos por fases, sem medo que o PS desse o dito por não dito. Mas como os Srs do PS até foram capazes de retirar carris da Linha da Lousa e a seguir deixar o canal a ganhar silvas, já mostraram que não são de confiança. É pena, mas Coimbra não se pode dar ao luxo de ir fazendo uma obra de cada vez porque este governo socialista há muito deu provas de não ser de confiança.
Quanto ao problema das acessibilidades, ver uma vereadora do PS que esteve no anterior Executivo dizer o que disse seria cómico se não fosse trágico. Um Executivo que deixou Coimbra num buraco, obstaculizou tudo o que foi iniciativa privada, deixou o concelho a perder população nos últimos 10 anos (dos quais governou 8) mas o grande desígnio que gostava de ver cumprido eram uns semáforos numa rotunda.
Aliás, a preocupação é tal com o caos no trânsito que queriam que a Estrada da Beira, na Solum/Vale das Flores estivesse a ser intervencionada agora, enquanto decorrem as obras do metro.
Talvez o que doa não seja realmente o caos no trânsito, mas a noção, cada vez mais generalizada, de que finalmente temos na Pç 8 de maio alguém que sabe o que está a fazer.
Bom ano.