Opinião: Bom ano
Que 2023 seja efetivamente um Bom Ano para todos.
Seria excelente se fosse um ano perfeito, onde não houvesse lugar à dor, ao sofrimento, onde não faltasse o pão na mesa de tantas famílias. Simplesmente sentimentos que não passam de utopia num mundo cada vez mais destruído por guerras, cataclismos, fenómenos meteorológicos extremos, ondas de calor onde temperaturas atingem valores quase insuportáveis, a falta de água, a seca e todo um conjunto de dinâmicas que são o rastilho para incêndios, cada vez mais devastadores.
Ainda furacões, terramotos, cada vez mais intensos e frequentes, invernos em que a água da chuva cai em catadupas, amontoando-se em rios, destruindo tudo à sua passagem. Mas a realidade lamentável é que todos estes fenómenos, de algum modo matam. Lamentavelmente o ser humano, poderá ser o principal responsável. No entanto e quem de direito, repensará a nível global, em salvar o planeta! Relembrando, no entanto, que cada um de nós, terá de igual modo um papel fundamental.
Com toda esta conjetura, não posso deixar de me lembrar diariamente e especialmente dos mais desprotegidos e que continuam a ser de algum modo os mais assolados…os idosos.
Aqueles que o tempo apagou de algum modo a beleza do corpo, que estão mais fragilizados, os cabelos perderam a cor doutrora a pele tornou-se enrugada pelo peso dos anos, a dificuldade dos movimentos e até dos reflexos, são uma constante. É pois esta fragilidade que vemos em tantos dos nossos idosos, com uma saúde débil, resignados! Alguns tão isolados e enraizados ao local, que os viu nascer, crescer e viver o resto das suas vidas. Outros, porém, sentem-se aprisionados em lares, resignados talvez, pelo que a vida lhes oferece no final das suas vidas, esperando a visita de algum familiar mais próximo, ou de algum momento de liberdade, como uma visita à casa, que é sua, ou que algum dia foi sua…
O que poderia ser belo, o envelhecer serenamente, é turvado de algum modo pela falta de atenção de tantos que vivem uma vida louca de correria…envelhecer tornou-se pois, atualmente, uma tortura para tantos pais “aprisionados” e para tantos outros filhos que resignadamente os “depositam” em lares, sem alternativas possíveis ou até alcançáveis.
Relembro outrora, como a vida era de certo modo tranquila. Bem sei que as tecnologias e a ciência vieram trazer novas realidades, esperanças e soluções para o avanço sustentável da humanidade e inclusivamente a cura para muitas doenças, mas não posso deixar de relembrar como era mais salutar envelhecer nesses anos de outrora.
Os avós acompanhavam assim, de perto o crescimento dos netos e estes seguiam uma aprendizagem, que lhes serviria para a vida!
Como seria diferente se a ciência avançasse, criando lares, que fossem verdadeiramente lares, onde cada idoso sentisse, que a etapa da idade, a de envelhecer, fosse uma aprendizagem salutar, de gratidão à vida e jamais de resignação, construindo assim um futuro onde cada um de nós, gostasse de percorrer e envelhecer.


