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Opinião: Cápsula do Tempo

22 de às 11h54
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Celebrou-se, no passado dia 20 de Dezembro, o 23⁰ aniversário do Estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau. A transferência de soberania de Macau de Portugal para a República Popular da China ocorreu no dia 20 de Dezembro de 1999, após mais de 400 anos de administração portuguesa. Nas vésperas assistiu-se à cerimónia de inauguração da Cápsula do Tempo, situada na praça do Centro Cultural de Macau, selada pelo Presidente Jorge Sampaio e pelo último governador de Macau, Vasco Rocha Vieira. A um metro de profundidade, fechados numa caixa metálica dentro de um pedestal de mármore selado por uma lápide, foram enterrados diversos documentos relacionados com a cerimónia e com o processo de transição, entre eles o programa oficial das comemorações, a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa e a Lei Básica da Região (muitas vezes referida como a “mini-constituição”, em vigor desde então). As inscrições da lápide quantificam cinquenta anos, sendo esse o prazo de selagem da dita cápsula, referentes à validade do princípio constitucional “um país, dois sistemas”.
Vinte e três anos passados Macau mantém a sua forte relação com Portugal, apresentando uma reconhecida herança cultural e patrimonial que vai desde a arquitectura à língua portuguesa (língua oficial da Região, a par com a língua chinesa). A nós, emigrantes que temos e sentimos Macau como casa, resta-nos a saudosa memória dos que vivenciaram o processo de transição, ao assumirmos com alma e fogo luso o compromisso de perpetuar a centenária relação com Portugal.

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