Opinião: ChatGPT: verdade ou consequência?
Em agosto de 1955 (há 68 anos), um grupo de cientistas efetuou um pedido de financiamento no valor de $13.500 para realizar um workshop de verão no Dartmouth College, em New Hampshire nos EUA. O campo do conhecimento que se propunham explorar foi a inteligência artificial (IA).
À época, à humilde quantia de financiamento, contrapunham a ambiciosa, quiçá utópica, conjectura dos investigadores : “todas as facetas da aprendizagem ou qualquer outra característica da inteligência pode, em princípio, ser descrita com tanta precisão que uma máquina pode ser feita para simulá-la”.
Era o início da caminhada que a Inteligência Artificial percorre como uma onda sucessiva de “Invernos” e “Primaveras” culminando em 2022 com o lançamento do ChatGPT, essa estranha mas brilhante “Máquina de fazer Máquinas”, utilizando novos métodos e técnicas algoritmicas aplicadas ao processamento, tratamento, compreensão e geração de linguagem natural.
No exato momento em que escrevemos estas linhas, a “Futurepedia” identifica 552 ferramentas / instrumentos ligados à denominada Inteligência Artificial Generativa (Generative AI), categoria na qual se pode inserir também o ChatGPT.
Desde o lançamento da Internet, e na evolução progressiva da Sociedade da Informação, reconhecemos marcos importantes como o lançamento do primeiro browser gráfico Mosaic ( 1993 ), motor de pesquisa do Google ( 1998 ), lançamento do iPOD ( 2003 ) , Facebook ( 2004 ), Twitter ( 2006 ), Blockchain/Bitcoin (2008) e agora o ChatGPT ( 2022) que acabam por se revelar instrumentos de ruptura, com capacidade para desafiar o momento societal em curso, alavancando um conjunto de novas atividades e outras tarefas, algumas imaginadas como possíveis, e outras totalmente imprevistas no momento da concepção algoritmica dos instrumentos e ferramentas ligadas a Inteligência Artificial.
Sejamos cautelosos, que não medrosos. Ao realismo e “autoridade” intelectual do ChatGPT , um software capaz de manipular algoritmos para “ler”, “escrever”, “programar”, “imaginar”, “criar”, deveremos contrapor com refinada Inteligência Humana e Natural em patamares ainda mais elevados e relevantes.
Os algoritmos dos “Transformadores” de Linguagem que compõe o ChatGPT são feitos de “Matemática Vectorial” e, como tal, eles procuram sempre a próxima letra ou a próxima palavra, tendo como objetivo principal alcançar CREDIBILIDADE nas respostas e, não estão por enquanto, muito preocupados com a VERDADE das mesmas. Deste ponto de vista os Transformadores do ChatGPT são “instrumentos de imaginação”, aos quais se aplica bem a noção de IA Generativa.
Em 2023, vão aumentar as vozes sobre ética, moral e consciência da Inteligência Artificial. Sobre as primeiras, o tempo urge. Ética e moral, não deverão ser deixadas em “livre arbítrio” aos algoritmos, sobre os quais será posteriormente mais difícil, estabelecer os limites das externalidades e consequências, positivas e negativas, mesmo que não intencionais e provocadas por agentes de software dotados de inteligência “generativa”, automática e, futuramente… autónoma !.


