Opinião: “Coimbra acolhe… acolham-se!”
Coimbra, a Universidade, o seu Politécnico e, globalmente, o Ensino Superior, dão as boas vindas aos novos visitantes. Sim. Porque o mais certo é que, vindos da província a sete pés – não corridos porque a cada fim de semana voltam, e regressam, e voltam, e regressam, e assim até ao fim – certamente encontram uma nova realidade que não aparecem nos aparelhos, dos novos, e da mais variada arte de comunicar.
A não ser que já tivessem por cá passado antes, eventualmente por altura da Queima das Fitas e pensado para com os seus botões, é aqui que eu quero estudar, a cidade é uma caixinha de surpresas!
Não por ela própria, não pelas pessoas, mas sobretudo pelo encontro de “dizeres, de linguajar, enfim, de cultura e culturas diferenciadas e ricas que se misturam e renovam o ar que se respira.
Não estão fora desta nova prova de vida, todos os que, falando ou não a língua de Camões, conseguem tropeçar, praguejar, gesticular e por fim abraçar, porque Coimbra assim o exige.
Não será só a cidade e as suas instituições de ensino superior que os acolhe. Tal seria pouco e de pouca monta. Eles acolhem-se, principalmente quando não percebem o que os rodeia, quase como pedindo com piedade…ajuda aí!
A língua que cada um fala não é importante. Tal como crianças de várias nacionalidades a brincar na praia, estão condenados a entender-se!
Os mais lestos rapidamente começam a articular algumas palavras – não como alguns políticos ou para-políticos que conhecemos, que só articulam sons, o que é sempre bom porque não se dão a perceber e terão o destino traçado – mas outros com mais dificuldade porque o Inglês ensinado em Bragança não é o mesmo que o ensinado em Lisboa, lá se esforçarão para se fazer entender.
Muitos dos jovens de nacionalidade brasileira escolhem Coimbra para estudar. Vá-se lá saber porquê! Então não é que para os críticos que a nossa Universidade está a anos luz de outras que nasceram ontem?
Coimbra tem uma enorme afinidade com o Brasil, razão pela qual, não fosse Bolsonaro e a horda de analfabetos que o rodeia, deveria ter tido um lugar de destaque nas comemorações dos seus 200 anos de independência.
Será bom lembrar que, segundo a historiadora brasileira Ruth Chittó Gauer, “foi em 1577 que o primeiro brasileiro se dirigiu a Coimbra para realizar a experiência de frequentar um curso superior. A história da formação superior na “colónia” vinculou-se a partir dessa data à Universidade de Coimbra”.
É que, apenas existia a Universidade de Coimbra que surgiu em 1290 e que no século XVI já possuía destaque como centro humanístico na Europa.
A partir da reflexão de Joaquim Nabuco sobre a importância da vida social brasileira no período colonial, a formação em Coimbra foi essencial para garantir a europeização das camadas dominantes.
Percebe-se então, porque os brasileiros têm tanta apetência por Portugal.
Para ficar como exemplo e como contrapartida às idiotices que às vezes poluem a relação entre os dois povos, quando Jô Soares questionou José Saramago sobre a questão colonial, este respondeu; “vocês estão cheios de Japoneses, italianos, alemães e a culpa é sempre nossa”?
São todos muito bem-vindos de todos os cantos do mundo!
Pode ler a opinião na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS


