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Opinião: Coimbra para caloiros (e não só!)

04 de às 08h34
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Caros caloiros, sejam muito bem-vindos! Certamente já ouviram dizer, a quem cá vive ou por cá viveu, que Coimbra é uma cidade única, uma cidade especial. Mas porquê? O que a distingue de tantas outras cidades? Descubram neste artigo os factos mais relevantes e curiosos para começarem a entender e a sentir Coimbra.
As cidades são construções humanas, produto de milhares de anos de história e evolução. Para conhecer uma cidade, em primeiro lugar, devemos “olhar para cima”. Qual o edifício/monumento mais opulento e que melhor se distingue? Tipicamente, as cidades portuguesas reconhecem-se pelo seu castelo, pela sua sé, ou pelo seu mosteiro. E Coimbra? Coimbra é diferente, é a única cidade portuguesa alteada por uma Universidade. Ao contrário das outras em que prevalecem atributos do poder militar ou da fé, Coimbra identifica-se, acima de tudo, por um símbolo do conhecimento.
Caloiros, comecemos então por aqui, por três pontos fundamentais que devem saber sobre a Universidade e a Academia.
• A Torre da Universidade não se chama Cabra. Cabra é o nome dado pelos estudantes ao sino da fachada oeste da Torre, ou seja, ao que fica virado para o rio. Historicamente, o toque da Cabra, 15 minutos antes do início das aulas, servia para alertar os estudantes que era hora de se dirigirem para a universidade. É daqui que surge o termo “quarto de hora académico”. Hoje em dia, este conceito é (na minha opinião, mal) interpretado como a possibilidade de chegar atrasado até 15 minutos. Noto que neste contexto histórico, em que os estudantes residiam nas imediações da universidade, Coimbra é uma cidade pioneira do conceito moderno de planeamento urbano da cidade de 15 minutos!
• A Praxe é o conjunto dos costumes, das regras, e das tradições. Praxe não é sinónimo de gozar ou de ser gozado. Gozar com os caloiros é apenas uma entre várias componentes da Praxe. E há regras bem estabelecidas no Código da Praxe sobre como essa atividade deve ocorrer. Por exemplo, é proibido pintar caloiros da Universidade de Coimbra, bem como qualquer atividade de gozo que seja lesiva física ou psicologicamente.
• Capa e Batina é o nome dado ao traje académico. Que sentido faz que, hoje em dia, muitos “doutores” se apresentem parcialmente trajados, usando as tradicionais calças pretas, camisa branca, colete preto, e gravata preta, mas sem envergar a Capa e/ou a Batina? O traje não é exclusivo desta academia, mas dela emana um sentimento especial. O orgulho em ser estudante em Coimbra advém da sua longa história e tradição. O respeito também. Trajar “Capa e Batina”, sem envergar a Capa ou a Batina, é uma manifestação de ignorância e incoerência. Para além de que exercer a Praxe sem trajar corretamente a Capa e Batina é uma clara violação do Código da Praxe. Tal como diz o provérbio: “Quem não se dá ao respeito, não terá respeito”. Caloiros (e doutores), quando envergarem o traje, façam-no bem, com orgulho e com respeito!
E sobre a cidade de Coimbra, o que devem saber? Também três pontos principais:
• Coimbra foi a primeira capital de Portugal. Ao contrário do que muitos pensam, Guimarães nunca foi capital do nosso país, tendo sido “apenas” o centro administrativo do Condado Portucalense. O Condado de Coimbra (governado por D. Sisnando, ou Sesnando) é até mais antigo que o Portucalense. E só com a união dos dois condados é que começou a haver condições para o nascimento da nossa nação. Foi com as gentes de Coimbra, das Beiras, e outros condes portucalenses, que D. Afonso Henriques se apresentou em Guimarães e aí derrotou as tropas de sua mãe e do conde galego, cujo plano era englobar o Condado Portucalense no Condado da Galiza. Um ano depois desta batalha D. Afonso Henriques assume definitivamente a ideia duma nação independente – Portugal. Pela sua importância, foi Coimbra que D. Afonso Henriques escolheu para estabelecer a sua corte, criar o seu exército pessoal (os Cavaleiros de Coimbra, que foram fundamentais para conquistar as terras a Sul, como Santarém), constituir família e, mais tarde, ser enterrado (na Igreja de Santa Cruz, na Baixa, que é um monumento Panteão Nacional). Um conhecido slogan associa Guimarães ao “berço da nação”. No entanto, a história revela que “Portugal construiu-se a partir de Coimbra”.
• Coimbra é uma cidade pioneira. Para além de ter sido a primeira capital de Portugal e de acolher a primeira universidade portuguesa, Coimbra é pioneira no conhecimento e inovação, na saúde, nas questões societais e de direito, na cultura, no desporto, etc. Já muito escrevi sobre este tema nesta coluna de opinião. Para saberem mais, recomendo a leitura dos artigos “Coimbra, a cidade que marca mas não tem marca”, aqui: https://www.asbeiras.pt/2021/10/opiniao-coimbra-a-cidade-que-marca-mas-nao-tem-marca/
• A Coimbra atual deve muito à Universidade, mas há mais vida para além desta. E o melhor exemplo até é na área do conhecimento, em que a massa crítica vai desde o Portugal dos Pequenitos, às melhores escolas básicas e secundárias do país, até ao Exploratório e ao novo centro TUMO. Há futuro em Coimbra para além dos anos académicos! Há novas empresas e startups tecnológicas, há cultura, há grandes eventos (Coldplay), etc.
Para concluir, saliento que Coimbra não é só a cidade de Coimbra. Das Aldeias de Xisto às praias da Figueira da Foz, passando pelas ruínas de Conímbriga, há toda uma região para explorar e descobrir! Aproveitem!

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