Opinião: Coimbra soube utilizar, nestes 10 anos, a classificação como Património da Unesco?
Não
Ou pouco. Não como teria sido desejável. É certo que a classificação de parte da cidade, Universidade, Alta e Sofia, trouxe ganhos significativos. Há hoje uma maior projecção de Coimbra na Europa e no mundo. Houve um significativo acréscimo de visitantes.
Mas a cidade mudou, como podia e devia? Nem por isso! A classificação como património mundial era, é, uma grande oportunidade para a requalificação do edificado na zona classificada e em toda a envolvente, para a revitalização da zona velha da cidade. A Alta e a Baixa foram requalificadas? Há mais vida na Baixa? Há jovens, há famílias a arrendar imóveis? O comércio prospera? Sente-se o pulsar da vida económica? E a cultura? Os diversos monumentos, os colégios da Sofia estão preservados e integrados em roteiros para visitantes?
Há mais turistas, é verdade. Que depois de visitarem a Universidade, descem para a Baixa, procuram as lojas de “artesanato” – não a cerâmica, mas a tradicional cortiça do Mondego! -, fazem despesa nos cafés do circuito e são recolhidos na Portagem. Alguns pernoitam nos estabelecimentos de alojamento local ou em hotéis, mas por uma noite ou pouco mais, não sendo convenientemente seduzidos a aproveitar com uma estada mais prolongada o desfrute da riqueza patrimonial, histórica, ambiental, cultural da cidade e da região.
Veja-se! Dez anos depois da classificação da Unesco, as Repúblicas de Coimbra estão em risco. Mesmo sendo as Repúblicas justamente parte integrante do património imaterial de Coimbra!


