Opinião: Como se pesquisava noutros tempos
Tal como sucedeu com o aparecimento da Netflix há alguns anos que veio revolucionar o streaming e o modo como hoje consumimos conteúdos, criando o interesse de muitos outros players (Amazon, Disney HBO, etc.), é agora a vez de toda a indústria mostrar grande interesse pela Inteligência Artificial (IA), em particular por programas que produzem texto a partir de uma simples questão colocada pelos utilizadores.
O apelo a que os motores de busca (Google, Bing) disponibilizem pesquisas orientadas por IA veio de repente reavivar a concorrência entre ambos. Diga-se que muito à boleia da recente “loucura” com o ChatGPT e muito por culpa das suas respostas, surpreendentemente bem escritas e corretas, apenas com base em questões simples.
As potencialidades de uma ferramenta como o ChatGPT aliada a um motor de busca são espantosas, podendo este tornar-se cada vez mais sensível às necessidades específicas dos utilizadores e ajudar nas dúvidas do dia-a-dia. Permitindo, por exemplo, obter respostas em estilo de conversa a questões sobre quais os melhores exercícios físicos (“Preciso de uma lista de exercícios para poder treinar em casa”) ou que computador portátil devo comprar (“Qual o melhor PC portátil para mim com preço até 800€?”).
A Microsoft irá alimentar o seu motor de busca “Bing” com o ChatGPT, desafiando desde logo a hegemonia da Google. Esta, não se fez esperar e na resposta apresentou o “Bard”. Mas a apresentação oficial ao mundo não foi auspiciosa. Na demonstração e numa resposta a uma pergunta “Que novas descobertas do telescópio espacial James Webb posso contar à minha filha de nove anos?”, o Bard sugeriu que este telescópio foi utilizado para tirar as primeiras fotografias em 2021 de um planeta de fora do sistema solar, o que rapidamente vários especialistas desmentiram. Com este erro, a empresa-mãe da Google (Alphabet) perdeu 100 mil milhões de dólares do seu valor na bolsa. Um revés embaraçoso para uma empresa desta dimensão.
Ainda assim, este episódio do Bard é só mais uma demonstração do interesse gerado pela IA. Que, diga-se, não começou agora. Mesmo não sendo evidente, há anos que as gigantes tecnológicas, em particular as Big Tech (também conhecidas pela abreviatura GAFAM – Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) têm estado a investir no seu desenvolvimento.
É certo que as respostas destes “Chatbot”, programas que simulam um ser humano na conversação, ainda carecem de edição e podem conter erros factuais. Mas estaremos dentro de muito pouco tempo a lembrar-nos de como, noutros tempos, fazíamos pesquisas no Google ou no Bing, que nos devolviam listas extensas de links, tornando as pesquisas pouco eficientes. Porque quando queremos fazer uma pesquisa, os resultados podem ser apresentados em linguagem natural como se dialogássemos com outro ser humano. Tal como há cerca de 70 anos Alan Turing, considerado o pai da computação, previa que fosse suceder.


