Opinião: Comunicar com o coração
Como é que podemos comunicar bem? O que devemos dizer e como devemos dizer? Sobretudo, será que a comunicação se esgota nas palavras?
Nunca como hoje tivemos tanto acesso a informação e a publicações. Aliás hoje todos nós parecemos pequenos jornalistas.
A Igreja celebrou ontem o Dia Mundial das Comunicações Sociais e o Papa Francisco, na sua mensagem para este dia, sublinhou a importância de ‘falar com o coração’.
Sinto que esta expressão evoca emoção sincera, inteligência afetiva, simplicidade tocante, acolhimento profundo e envolvimento total.
Muitas das comunicações são artificiais, complexas, desonestas, cheias de interesses… Podem ser tecnicamente perfeitas, mas, por isso mesmo, são desinteressantes.
Comunicar é uma arte que, numa primeira linha, envolve gestos, palavras e conteúdo. Mas depois precisa de alguns condimentos como o humor, a simplicidade, a clareza das ideias e, sobretudo, a empatia afetiva.
Deste modo, falar com o coração é um enorme desafio, é falar da verdade com amor, é evitar palavras vazias e hipócritas, é procurar que os gestos sejam coerentes e reforcem as palavras.
O Papa recorda que “a comunicação nunca deveria reduzir-se (…) a uma estratégia de marketing”. Não pode ser a arte de enganar o outro, de humilhar ou de destruir.
Comunicar exige conhecer e respeitar o outro, saber elogiar e só depois criticar. Comunicar exige criar cumplicidade e abrir o presente ao futuro. Temos que tentar perceber o ponto de vista do outro porque cada um de nós vê sempre só da janela dos seus olhos.
Não se trata de dizer tudo o que se sabe ou se sente, nem dizer na hora, nem querer saber tudo a todo o momento… Para comunicar bem e com o coração é preciso ouvir muito.
A Igreja que, em muitos momentos, foi inovadora na comunicação, deve reconhecer que ultimamente precisa de melhorar bastante este aspeto. Em muitos casos não se trata de melhorar, mas de mudar de paradigma.
O tempo mudou muito e precisamos de resposta novas e abordagens diferentes para as questões de sempre. Precisamos de ser criativos para continuar a desafiar o mundo e as pessoas com valores que constroem sociedades e comunidades mais fraternas, acolhedoras e solidárias.
Falar com o coração é alimentar a alma, é dar céu à terra e dar esperança ao quotidiano.



