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Opinião: Contributo para os novos paradigmas da Saúde

05 de às 09h10
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Os Médicos de Família em Portugal encontram-se assoberbados por um sem número de tarefas de carater administrativo que desviam recursos necessários para a assistência aos doentes.
Para além disso o problema da falta de médicos em geral, mas sobretudo de Medicina Geral e Familiar continua e não se vislumbra solução no curto/médio prazo, em especial na região de Lisboa, mas um pouco por todo o País, como é o caso da região de Coimbra, em localidades próximas e outras já mais do Interior.
As tarefas administrativas relacionadas com a emissão de um sem número de atestados consomem tempo e recursos que tão necessários são para a melhoria e humanização da relação médico/doente.
Também o ambiente de trabalho é afetado pela necessidade de execução destas tarefas no âmbito do Serviço Nacional de Saúde gerando muitas vezes desmotivação.
Muitas solicitações visam passar responsabilidades individuais e da sociedade para os médicos de Medicina Geral e Familiar, isto é, fazer deles Policias que não o devem ser, nem tem essa função.
Em muitos casos são solicitados atestados de complacência que consomem consultas escusadas que afetam a relação de confiança que deve imperar entre o médico e o seu doente e muitas vezes dão origem a desabafos impertinentes.
Vai agora entrar em vigor a justificação de faltas por doença sob compromisso de honra.
Compete ao cidadão informar a sua Entidade Patronal que está doente e assumir a sua responsabilidade se essa informação for falsa.
Não poderão ser confundidas com atestados médicos, pois que a avaliação do estado de saúde ou doença é um ato médico que não vai acontecer nestas situações.
Compete ao estado estabelecer os mecanismos necessários para a execução desta nova medida, nomeadamente quanto à prevenção de abusos.
Sendo certo que saúde é o estado de completo bem estar físico, mental e social.
Será um passo que constitui um contributo modesto para melhorar a resposta do Serviço Nacional de Saúde onde cada vez há menos pessoas para dar resposta às necessidades da população.
Sendo certo que a carência que mais se faz sentir é a de médicos, mas também em muitos casos, outros profissionais especializados e até mesmo assistentes técnicos e assistentes operacionais.
A necessidade da população tem aumentado quer pelo envelhecimento das pessoas, quer pelo maior número de doenças crónicas que requerem maior necessidade de respostas alargadas e consistentes, mas, no entanto, vemos que temos um numero insuficiente de pessoas para dar essa resposta.
O Serviço Nacional de Saúde precisa de cativar os seus profissionais ,em concorrência com o setor privado e até mesmo com a emigração, com aumentos salariais que reponham o poder de compra como se vai assistindo noutras classes profissionais da Função Publica, mas também as progressões na carreira, as condições das infraestruturas, o acesso a novas tecnologias e equipamentos; não esquecendo a necessidade de melhor gestão e organização que permita um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal tão cara às novas gerações .
Santa Páscoa.

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