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Opinião: Costa é um homem de sorte

18 de às 12h20
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Não fora o campeonato do mundo de futebol a realizar num país “respeitador da democracia e dos direitos da mulher” e a entrevista a Cristiano Ronaldo, e António Costa estava metido num grande sarilho.
Não tanto pelo último número de má magia – que não há – do “ex-banqueiro de todos nós” cujas palavras já todos percebemos que não tiveram o menor sentido, mas sobretudo pela companhia que arregimentou para o lançamento do livro.
Apareceu a público e desapareceu. Abafado. Bom trabalho de comunicação!
A entrevista de Ronaldo entreteve e ainda está a entreter o pagode. Este, mais interessado no sentimento de desagrado do futebolista, do que pela repercussão que teve no mundo, sobretudo pelo encaixe de cerca de 20 milhões de euros que lhe aparecem na conta bancária ao fim de cada ano desportivo!
António Costa deixou “correr o marfim”, porque sabia que eventos importantes estavam aí à porta e o tempo se encarregaria de fazer esquecer Caminha e outras coisas que tais!
Mais, como bom e empenhado 1º Ministro, fez questão de fazer uma visita à selecção nacional de futebol. Recebido calorosamente pelo seleccionador nacional, mais não teve de fazer do que sorrir para as câmaras de televisão. O Senhor 1º. Ministro no seu melhor a “distribuir jogo” como ele tão bem sabe fazer!
Mas, percebe-se bem que a campanha que lhe estava a ser movida tinha sempre o objectivo de o fragilizar.
Mas ele também sabe que neste fim de semana se vão realizar congressos distritais, nomeadamente em Coimbra, os quais poderão alavancar – assim haja engenho e arte – uma renovada forma de intervir e um discurso mais assertivo em matérias decisivas para o nosso futuro colectivo.
Coimbra, se tem como objectivo assumir a sua candidatura a capital regional – nem sei se estarei vivo para tal ver e aplaudir – deverá assumir uma postura muito mais interventiva.
Coimbra tem de se fazer ouvir e sobretudo respeitar em Lisboa, onde tudo se trata e decide porque é lá que estão os centros de decisão.
Tem de passar a ser a cidade e o distrito de Fernando Vale, António Arnaut, Manuel Alegre, António Portugal, Fausto Correia, Mário Mendes e, tantos outros que fizeram da sua vida uma dádiva ao socialismo democrático. Os socialistas de Coimbra não poderão nem deverão esquecer António Campos, porque ainda aí “está para as curvas”, não deixando em, e por mãos alheias o que entende por bem dizer e escrever.
É um legado terrível de enorme qualidade, ética e política, difícil ou mesmo impossível de igualar, mas tendo-os sempre como referência.
Coimbra vai ter de se impor pela apresentação de propostas, tais como a democraticidade interna – forma de eleger os seus candidatos – a regionalização como forma determinante da evolução do país, a reforma do sistema eleitoral nacional, para que se acabe de uma vez por todas com a aldrabice dos equilíbrios dando a cada um a possibilidade de afirmarem a razão da sua existência política e não terem receio de ir a votos.
António Costa sabe que tudo isto é razoável, é possível, que é uma determinante do reforço da democracia contra as forças do obscurantismo. Sabe isso, mas também sabe que, quanto mais participativos forem os socialistas na discussão do seu futuro colectivo, mais os terá motivados e estimulados para a afirmação num futuro que se percebe incerto.
Dito isto; Costa é um Homem de sorte!

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