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Opinião: Crise? … Qual crise?

06 de às 10h22
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Tem-se falado, nos últimos tempos, de crise. Na verdade, aparentemente, há alguns sinais preocupantes que podem ser vistos como sinais de crise: os grupos de assistência a pessoas em dificuldades revelam que já não conseguem responder a tantos pedidos de pessoas que não conseguem resolver o seu problema alimentar; em 2022 assistimos à maior queda de sempre da compra de produtos alimentares; o desemprego começa a aumentar de forma consistente; multiplicam-se os inúmeros casos de emigrantes a viver em situações indignas e a quem o estado não consegue dar assistência. Digamos que o mal-estar na saúde, na educação, nos transportes, na habitação, entre outros, parecem ser sinais adicionais que apontam no mesmo sentido.
Todavia, não paro de me questionar sobre se estamos mesmo a enfrentar uma crise. Pergunto-me mesmo: qual crise?
Na verdade, a economia cresceu em 2022 como nunca: 6,7% em termos nominais e próximo de 16% em termos nominais. O estado recolheu impostos como nunca, apresentou um déficit ligeiro e só não foi um excedente por vergonha. A divida pública caiu de uma forma nunca vista (eu sei que é mais make-up que outra coisa). As empresas ganharam dinheiro de uma forma histórica e puderam aumentar a generalidade dos seus preços de venda, criando um novo padrão de rendibilidade para o futuro. Na verdade, se excetuarmos as famílias, toda a gente ganhou e toda a gente está bem…
Adicionalmente, para contrariar esta conversa da crise, o país está num momento único para relançar um crescimento significativo. Ainda que os fundamentais da economia europeia não estejam brilhantes, Portugal tem um PRR e uma série de frentes em que pode dinamizar a economia:
O problema da habitação pode ser uma enorme oportunidade. Um sério programa de construção de nova habitação e a reabilitação de edifícios devolutos poderá dar um enorme impulso à economia. É bem conhecido o poder de arrasto do setor da construção que, ao mesmo tempo que dinamiza a economia, ajuda a resolver o problema da habitação.
O crescimento do turismo, cria novas oportunidades para o desenvolvimento do alojamento local, que tem um efeito duplo sobre a reabilitação de edifícios degradados e a recuperação de algumas zonas urbanas, e um duplo efeito sobre a economia via construção e turismo.
A oportunidade de lançar no mercado de arrendamento de um número importante de edifícios públicos e privados, que dinamizará o setor e provocará um efeito significativo na construção, via reabilitação.
Finalmente, as empresas evidenciaram um enorme dinamismo exportador no último ano. Um estímulo forte ao investimento e o reforço de fundos para empresas e projetos de menor dimensão, poderá ter um efeito mais imediato sobre a economia e reforçar a base exportadora do país.
Assim sendo, alguém consegue entender as políticas recessivas do governo por via fiscal, via legislação laboral… e com os travões e com os receios que lançou sobre o setor imobiliário e do arrendamento e do alojamento local? Alguém compreende que sejamos um dos países mais lentos a fazer chegar o dinheiro do PRR à economia?
Para fechar, volto à minha pergunta de partida: estamos mesmo perante uma crise? Ou teremos mesmo que enfrentar a dura realidade de que somos um país pobre, enredado num emaranhado de hesitações e loucura, e que tropeça nas próprias botas?

 

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