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Opinião: De Schola Enfirmariae

19 de às 13h02
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O Conselho Geral da Universidade de Coimbra tomou, há dias, a decisão de aceitar a fusão com a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Pessoalmente, tenho uma opinião alongada, quiçá polémica, sobre o rumo que se tem tomado acerca do modo de funcionamento do ensino Universitário e o Politécnico, mas nestes parágrafos cingir-me-ei a uma análise praxístico-tradicional. Nota: Apesar de Enfermagem se auto-entitular como não sendo ensino politécnico, para efeitos da presente crónica serão considerados como tal, em concordância com o estatuto de ‘Bárbaros’ que lhes confere a Praxe Académica. ‘Bárbaros’ não pelo facto de viverem no Japão (do lado de lá do Mondego), mas sim por terem optado não seguir a lingua-franca da Academia Coimbrã e seguirem um “código de praxe” austral à Lusa-Athenas. Vero é, que esclareço aos mais desatentos, que a criação dos Politécnicos de Coimbra veio trazer à Tradição Coimbrã um certo paradoxo: Sob a mesma história geográfica e etnográfica, gerou-se uma tradição divergente, qual Cristandade Cátara, que tem vindo a proliferar nos campi distantes da Via Latina, onde o zurrar da Cabra chega já distorcido. Quem olhar de soslaio, dirá que são todos Estudantes de Coimbra, mas uma observação atenta à forma e comportamento acusará uma grande discrepância entre os Estudantes que seguem a doutrina tradicional do Código de Praxe, e os restantes que optam pela via dos ‘Bárbaros’. A começar pela Capa e Batina, ex libris máximo do Estudante de Coimbra, que insistem em usar um colete feminino sem contexto ou inserção histórica, pelo excesso de emblemas e, mais gravosamente, pela diferente forma como a Praxe de Gozo do Caloiro se realiza naquelas margens.
É de facto estranho, como é que uma Escola com raízes que chegam até ao Séc. XIX, envergou pelo caminho da heresia praxística (e não é a única, sendo este fenómeno identificável em quase todas as instituições Politécnicas de Coimbra). Esta situação contrasta bastante com, por exemplo, a Escola Agrária de Coimbra, que precisamente derivado das suas longas raízes históricas, criaram e mantiveram uma identidade bastante própria, que lhes mereceu o reconhecimento e inserção na Tradição Coimbrã.
Esta divergência é, historicamente, bastante recente. Creio, salvo erro, que até aos anos 90 (derivado também do facto do Politécnico ser embrionário em Coimbra), havia uma utilização universal das regras do Código de Praxe de Coimbra por todas as instituições do Ensino Superior. No entanto, com o chegar à puberdade destas instituições, foram aparecendo laivos de sedição, que culminaram numa emancipação imatura e antagónica dos nossos próprios valores.
A entrada da Escola de Enfermagem na Universidade de Coimbra pode ser um passo bastante importante e relevante para que se comece a corrigir alguma desta divergência, e se consiga efectivamente caminhar para que haja um único Código afecto a todas as Instituições do Ensino Superior de Coimbra. Mais do que uma correção à história, para os futuros colegas da Escola de Enfermagem significa a igualdade no cerimonial Académico. Todos os anos, muitos colegas do IPC contestam a diferenciação que lhes é dada na Queima das Fitas, não compreendendo que esta situação advém precisamente do afastamento premeditado das suas próprias instituições da Praxe Coimbrã.
O Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra já por vários anos que faz esforços para tentar reintroduzir estas instituições na alçada da original Praxe Coimbrã, mas o facto de na mesa de negociação estarem cerca de uma dúzia de entidades diferentes, que raramente se entendem entre elas dificultou, e provavelmente exacerbou, negativamente, este processo. Tal como qualquer processo de assimilação cultural, será demorado e englobará um esforço conjunto de várias gerações diferentes de estudantes. Mas findo esse, espero que se tenha criado uma base de jurisprudência credível e exemplar para catapultar a união praxística, e por osmose, institucional, entre a Universidade e o ensino Politécnico de Coimbra!”

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