Opinião: Decisões corajosas
O mundo está cada vez mais precário e menos ‘garantido’. Entre comodismos e individualismos, muitos de nós, pensamos apenas no nosso conforto e nas nossas necessidades. Estando resolvidas, andamos bem.
Mas de que vale o mundo e o tempo que nos é dado? Que faço com a vida que me é dada e com os dons que me habitam? Que contributo tenho dado para uma sociedade mais justa, mais humana, mais acolhedora…?
No início do cristianismo, por volta do ano 50, Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para falar com os Apóstolos sobre a necessidade ou não da circuncisão para os cristãos de origem não judaica. Foi o primeiro Concílio!
Depois de uma intensa discussão a decisão final foi de não impor essa obrigação. Foi uma decisão inspirada pelo Espírito
Santo. As grandes decisões são sempre inspiradas porque nos ultrapassam e porque estão para além dos interesses
particulares.
A Igreja passou a ser uma experiência cada vez mais centrada no seu fundamento e na sua identidade – Cristo. Essa opção fez da Igreja uma comunidade sem fronteiras, aberta a todos.
Se a decisão fosse outra, o cristianismo teria ficado mais pobre, mais fechado, mais isolado, mais entrincheirado… talvez até tivesse desaparecido. Mas, no nosso ADN estão decisões corajosas. O Papa Francisco recorda-nos isso com muitas das suas
decisões. Mas na Igreja (e não só) ainda há muitas pessoas com medo, acomodadas, instaladas nos seus interesses pessoais.
Precisamos de nos envolver mais e de tomar, mais vezes, decisões corajosas. Decisões com um coração
sábio. Arriscar. O Papa Francisco diz isso mesmo: “não fiqueis a observar a vida de uma varanda. Não confundais a felicidade com um sofá nem passeis toda a vossa vida diante de um ecrã. E tão-pouco vos deveis converter no triste espetáculo dum veículo abandonado. Não sejais carros estacionados, mas deixai brotar os sonhos e tomai decisões. Ainda que vos enganeis, arriscai.
Não sobrevivais com a alma anestesiada, nem olheis o mundo como se fôsseis turistas. Fazei-vos ouvir! Lançai fora os medos que vos paralisam, para não vos tornardes jovens mumificados. Vivei! Entregai-vos ao melhor da vida! Abri as portas da gaiola e saí a voar! Por favor, não vos aposenteis antes do tempo”. (Cristo Vive, nª 143 )
Nada de almas anestesiadas, nem de carros abandonados. Arriscai. Sonhai. Abri portas. Tomai decisões
corajosas e inspiradas no Espírito Santo


